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quinta-feira, 5 de março de 2015

Jihad to Destroy Barney: Operação Focinho de Tomada


Como todos sabem, B´harney, a besta-fera roxa, destruidor de mundos e terror pan-dimensional vem
Granadas Peppa Pig????
tentando há décadas destruir a humanidade, na base da lavagem cerebral e violência, bem como na desconstrução neural simbólica sistêmica através de seu programa de televisão.

Enfrentado, com duras baixas, por um grupo secreto de heróis da resistência conhecida como "Jihad", os planos de tal entidade maléfica foram gradualmente desfeitos até um resultado, aparentemente seguro.

Mas, assim como minha tia Gertrudes, o mal não dorme e reclama do ar-condicionado, e depois da falta de ar-condicionado toda noite, e não podemos, nós, tampouco, descansar.

Assim, tenho a missão de informar vocês que estamos iniciando uma campanha brutal e violenta contra "Aquela de nariz de tomada", conhecida como Pe´ppa, bem como a legião do mal constituída por galináceas azuis gigantes, duendes que roubam o controle remoto e impedem você de mudar de canal e autores de novelas vespertinas com adolescentes.

Sim, o mal em sua essência continua a nos sondar e apesar de B´harney ter sofrido contra-tempos, nada indica que ele tenha desistido de colocar suas pútridas garras roxas em nosso planeta.

Muitas das histórias da Jihad podem ser encontradas neste link, bem como um manual de instruções disfarçado de livro de gurps (deve ser algum tipo de código indecifrável) passível de ser transcrito para outras linguagens como "Mundo das Trevas",

De minha parte estou iniciando um grupo de jovens e ferozes combatentes na jihad e conto com vocês para que façam a sua parte!

Quem o fizer comunique aos combatentes originais em mrfnord@amigo.net 

Em tempo: Uma prova das forças ocultas agindo nas sombras pode ser observada por minha conta no Facebook ter sido apagada hoje.

Coincidência? Eu acho que não!
Brega Presley

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Trilogia "Barney, a Besta": Terceiro (e último) texto sobre o Tema

O terceiro texto é do Rooney Souza. Também reproduzido com autorização.
Esse é o último texto com a temática, senão a gente fica monotemático demais.

MAS, como o texto dele ficou legal, vou me dar ao luxo uma vez mais.

Abraços!

"Londres, 15 de janeiro de 1933.

John ao folhear monotonamente, como todos os dias, a seção do horóscopo do Times se deparara com o singular conselho aos nativos de Peixes: que evitassem ao máximo fortes emoções ao longo do dia. Não fosse triste e desolador momento em que estava vivendo daria gargalhadas ou ao menos esboçaria um sorriso. Mas não, já eram quase onze meses que sua vida se transformara totalmente ao receber a vultosa herança do seu tio, o Dr. Wilson. De pobretão passou a ser dono de uma bela mansão londrina e de todos os seus caros pertences. Em um mundo mergulhado em dívidas vislumbrara a chance de poder casar com sua eterna namorada de infância, Tatiana, e com ela constituir uma linda e saudável família. Entretanto, como dizem “alegria de pobre dura pouco”.

Há nove meses atrás, em uma tarde chuvosa Tatiana esbarrara em um grande e empoeirado tomo esquecido no há muito abandonado sótão, escrito com uma caligrafia rebuscada e em alguma língua que se assemelhava ao latim onde dava para entender o título como “Barnerum Monstrum”. Trouxera a relíquia com uma mancha de sangue exatamente o se lia o título, dissera a John que espetara o polegar em um prego solto no cômodo fechado. Dali em diante, o humor dela se alterou profundamente, na mesma proporção com que John se viu compelido a estudar aquele tomo e desvendar os seus segredos.

Passados dois meses as brigas conjugais eram constantes e o único alívio para John era a disciplina de Latim na University of London, na qual fora aceito como ouvinte após garantir a reforma da biblioteca do pavilhão central. Passava mais de oito horas por dia na universidade, ávido pelo progresso em aprender a língua dos antigos romanos. Ficara muito contente quando foi convidado a participar do grupo de estudo em Latim Avançado I. A sua determinação e força de vontade, assim como o seu grande progresso na língua de Cícero o faziam alvo de inveja e admiração por parte de alguns colegas veteranos, dentre eles a bela e insidiosa Miranda.

Nunca se dedicara com afinco aos estudos, mas querer desvendar os conhecimentos daquele livro o fizeram despertar para a sua verdadeira vocação, já desejava inclusive se matricular como aluno regular do curso de línguas antigas quando o próximo semestre começasse. Enquanto isso, Tatiana se recusava a exercer a sua feminilidade e seus “deveres” conjugais, passava o dia enclausurada em um quarto como uma verdadeira pária da sociedade, discutia por qualquer coisa com John, o humilhava. Não era surpresa para ninguém que Miranda flertava com John, mas, além disso, ela o incentivava a estudar latim, se interessava em ler o Tomo Antigo com ele entre uma louca transa e uma aula na universidade. Como todo adúltero de primeira viagem sabe, John teve suas traições descobertas por Tatiana, que o abandonou sem nunca dizer para onde ia.

John ficou triste, mas o sexo selvagem proporcionado por Miranda e o progresso no entendimento dos segredos do livro praticamente o entorpeceram e o fizeram esquecer-se de seu amor juvenil.

O livro falava de um ser antigo dotado de enorme poder, cuja alcunha em árabe era Ba´hnaei, O Dançarino Púrpura. Além disso, descrevia a existência de um poderoso culto londrino que sequestrava e imolava crianças em homenagem à poderosa Besta. A criatura tendia a aceitar mais preferencialmente crianças como seus seguidores, pois em sua concepção cruel, nada mais depravado do que perverter a inocência infantil para atender aos seus sinistros e secretos desejos.

John ao mesmo tempo em que ficava excitado com as descobertas, passava a ter receio, pois seus sonhos eram povoados por sons sinistros, sons que se assemelhavam a antigas e inofensivas cantigas infantis, mas que servia para perturba-lo para o resto do dia. Se não fosse a persistência da sensual e fogosa Miranda em continuar o estudo ele teria queimado aquele maldito livro, mas como recusar algo àquela mulher que lhe proporcionara prazeres novos e indescritíveis?

Ao ler todo o livro o casal diletante tomou a infeliz iniciativa de conjurar o Dançarino Púrpura. A falta de familiaridade com o oculto proporcionou em uma grande frustração, pois nada ocorrera. John decidira interromper os estudos, ainda mais que Miranda desapareceu sem deixar pistas e levando o profano livro consigo. Descobriu mais tarde que Miranda nunca fora matriculada na universidade, se arrependeu por ter deixado Tatiana partir e entrou em uma profunda depressão.

Hoje John se esforçara em sair da cama e se decidiu a aceitar o pedido de seu amigo de infância Robert para ser um dos 8 padrinhos de seu casamento com Samantha. Só o aceitou pelo leve afã de poder esbarrar com Tatiana, já que esta era amiga do casal também, e tentar reatar a vida a dois. Contudo, no meio do caminho para a igreja cruzara com uma esquelética transeunte que lia as mãos dos londrinos, que sem titubear disse;
- O Dançarino atenderá a sua convocação no dia em que você e sete uniformizados estiverem juntos.

Ignorando a cigana, chegou à igreja e foi ocupar o seu assento ao lado dos outros padrinhos do casamento de Robert. Estar ali era um grande sacrifício, não ter o amor de Tatiana, a lascívia de Miranda e o bem estar do Tomo lhe eram um enorme pesar.

Entre sorrisos amarelos e cumprimentos secos para os outros padrinhos, observara que estavam todos com a mesma roupa, dos pés à cabeça, praticamente uniformizados. Neste exato momento lhe veio a cabeça a figura da zombeteira cigana e antes que pudesse raciocinar o significado disso ouviu uma terrível gargalhada e viu a cúpula da igreja vir abaixo. Em um instante um dia de felicidade e júbilo foi transformado no inferno na terra, O Dançarino Púrpura se manifestou para aquele que o convocara, mas não se preocupara em controlá-lo. O padre foi o primeiro a ser incinerado pelo estranho brilho que vinha da grande besta. As pessoas fugiam e as crianças estranhamente paravam e admiravam aquele ser, que não lhes fazia mal algum.

John correra o quanto pôde pelo parque fugindo do Dançarino que esmagava um a um os convidados ou incinerava com seu aterrorizante olhar. Quando tropeçou e viu que seria sua hora de ser esmagado, John acordara e vira que tudo não passava de um sonho. Em sua cama Miranda dormia docemente com os seios nus, indicando que mais uma vez tiveram uma noite de sexo selvagem. Mal sabia ele que ao pé da cama jazia um corpo feminino sem vida e ensanguentado abraçado firmemente ao Barnerum Monstrum"
(De Rooney Souza)



domingo, 1 de setembro de 2013

Barney, a Besta Lovercraftiana !!!

Outro texto, com a temática "Barney, Besta Apocalíptica", dessa vez feito pelo amigo Eder Marques e reproduzido com a autorização dele.


(Pessoalmente gostei bastante!)
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Trecho extraído do Diário do Dr Wilson psiquiatra.

... Não posso conviver com isso, com essa verdade aterradora... saber que tal horror caminha livremente entre nós é algo que me perturba, desde que descobri sua existência não mais consigo dormir.

Tudo começou com o relato de J. 9 anos. Seus pais o trouxeram ao meu consultório, pois o antes ativo menino agora se encontrava em silencio absoluto, praticamente um vegetal. Segundo eles após uma serie de estranhos sonhos e perturbações noturnas.
Foram semanas de tentativas frustradas em penetrar na mente do garoto, estava quase desistindo, quando por acaso o menino pareceu se estimular quando lhe pedi que desenhasse o que viesse a sua mente e para tal lhe dei um giz de cera na cor roxa.
O que se seguiu foi perturbador, com uma habilidade e coordenação extremamente avançadas para uma criança de 9 anos J desenhou uma grotesca figura roxa que aos olhos de qualquer homem gerariam asco, palavras não fariam justiça a tal coisa, era enorme uma criatura sáuria roxa e com olhos iridescentes, de seus olhos emanavam estranhos raios multicoloridos. Sinto um frio na espinha só de me lembrar.
Ao terminar o desenho J em um estado semi convulsivo começou a balbuciar estranhas palavras, mas entre todas elas uma era absolutamente clara Ba´hnaei.
Após o ocorrido subitamente J recuperou-se e não conseguia explicar o seu comportamento, para ser sincero nem eu conseguia.
Relatei tal fato a vários colegas acadêmicos ,mas nenhum deles pareceu se interessar, até que mostrei o desenho e falei a palavra para o excêntrico Dr Tenorio especialista em idiomas antigos e arqueologia em minha velha universidade, com muita relutância ele me confidenciou que já ouvira falar sobre tal lenda e que tal conhecimento não deveria ser perturbado em suas palavras – Há coisas que não são feitas para o homem mortal- e que se eu busca-se ativamente tal conhecimento seria como abrir uma caixa de pandora com mais conhecimento do que eu poderia digerir, me arrependo profundamente de não ter lhe dado ouvidos.
Relutantemente ele me passou informações a cerca de um livro restrito na biblioteca nacional que eu deveria procurar, Barnerum Monstrum, um estranho volume em latim na secção restrita. Com muito custo e uma vultosa propina obtive acesso a obra. Munido de meu parco conhecimento em latim, descobri o horror, tal coisa sempre existira e caminhara em meio à humanidade. Ainda segundo um livro existia um culto dedicado a tal besta e que praticava estranhos ritos em sua homenagem, ritos de morte e sacrifício, de cantigas em estranhas línguas antigas.
Sai da biblioteca apavorado e não consegui dormir por uma semana. Uma estranha sensação tomava conta de mim, de que eu estaria sendo vigiado, e isso me fez plantar os pés em casa.

Mas horror de fato veio depois, certo dia liguei a TV e o que vislumbrei foi aterrador... sob a alcunha de Barney e em uma versão abrandada de sua forma original, a criatura apresentava-se em um programa infantil.

Estou determinado a dar fim a esse mal, neste exato momento rumo aos estúdios munido do velho 38 que herdei de meu pai. Matarei Barney... nem que isso me custe tudo...mesmo minha vida.

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(Outro texto, de temática similar (Barney como monstro) pode ser encontrado AQUI)

Texto para "Jihad para Destruir Barney, o Dinossauro"


O Rooney, frequentador do encontro do Saia da Masmorra sugeriu e eu acatei escrever um micro-conto a respeito da imagem abaixo:

A idéia caiu como uma luva, já que estávamos discutindo o RPG "Jihad para destruir Barney, o Dinossauro", uma maluquice divertida onde Barney o Dinossauro da TV seria uma espécie de mosntro que tenta dominar  o mundo atravéz de suas ações maléovolas, lavando o cerebro de crianaças por todo o mundo com seu programa (a única razão que consigo imaginar, fora  o péssimo gosto infantil para quele programa ter feito sucesso por tanto tempo).

O próprio RPG estimula a gente a escrever histórias dentro desse universo non-sense, então segue a minha tentativa:

De Estevaonoezio_436@castermail.com.br

Ao ouvirmos os primeiros sons achávamos que era uma tempestade se aproximando. O ar a nossa volta tremia e víamos, aqui e ali, pessoas se levantando e correndo. Era um dia ensolarado, sem nuvens, o que já tornava a coisa toda um pouco esquisita, mas chuvas de verão são assim, mesmo, aparecem do nada e nos deixam ensopados antes de conseguirmos achar um abrigo.

                Eu estava especialmente bem-humorado aquele dia. Tatiana finalmente quis sair da toca, e busquei ela em seu apartamento para um pic-nic no Parque Central. Algo difícil de se fazer depois do acidente do irmão caçula, alguns meses antes. Quando abriu a porta para entrar no carro quase fiquei surpreso, porque realmente não achava que aquele seria um dos dias ruins dela. Mas ela entrou, trouxe uma sacola com algumas comidas e se sentou ao meu lado.  Sergio e Bia estavam já no banco de trás, fazendo barulhos estranhos do tipo que eu prefiro não olhar pelo retrovisor para saber a causa.

                O Parque Central ainda tinha algumas vagas em volta,  o que nos permitiu parar sem maiores dificuldades, ainda que eu soubesse que quando voltássemos o Sol teria quase derretido os pneus.

                Um bom dia, enfim.

                A estranha movimentação de pessoas correndo não nos assustou à princípio. Muitas pessoas se levantavam e corriam por qualquer coisa, mas havia ainda muita gente nos brinquedos de crianças perto dali. Quando as mães pegam suas crianças pequenas e saem correndo de um parque, acredite, vem chuva da grossa, meu amigo. Mas a maioria das famílias permanecia calma, algumas olhando ao redor, mas ninguém acreditando que era, de fato, uma chuva por vir.

                A coisa só começou a mudar alguns instantes depois. As pessoas não apenas se levantavam e corriam, mas corriam todas na mesma direção. E muitas delas gritavam. Fora isso, o som de trovões começou a ficar ritmado, como nenhum trovão do mundo poderia ficar. Tiros, explosões, o que quer que fosse, simplesmente nos levantamos e começamos a correr.

                A Bia tropeçou na toalha estendida, mas eu e Sergio a apoiamos. Tatiana corria já a frente da gente, poucos metros à frente, e voltava o olhar para algo acima e gritava, acelerando a cada vez. Como estava apoiando ainda Tatiana não me dei ao luxo de me virar e mirar  o que estava acontecendo. Pensei no 11 de setembro americano, com aviões caindo sobre prédios, pensei em tiros de traficantes cariocas, pensei em algum assassino serial de escolas pelo mundo atirando em colegas. Não imaginei o que realmente fosse a ameaça.

                Enquanto corríamos uma senhora à frente trombou com uma criança do parquinho. Pulei por cima delas, agora tentando diminuir a distância que tinha de Tatiana. Depois foi a vez de um ciclista que começava a ganhar velocidade trombar com outra criança. Só que dessa vez, não apenas uma mas 3 delas o cercavam. E pareciam brigar com ele.

                Diminui o passo no piloto automático, como se precisasse entender  o que estava realmente acontecendo. Foi quando vi o olho de uma das crianças. Púrpura, como nada humano poderia ser. Um, dois pares de olhos me observando e o que eram duas crianças do parquinho começaram a correr em minha direção. Elas estavam com sangue nas bocas e corriam como tigres atrás de uma zebra.

                Atrás de mim os estrondos ficavam mais fortes a cada 5  ou seis segundos e dessa vez não me controlei e olhei, enquanto corria. Algo gigantesco me perseguia, e não era humano. Cacilda, não era nem algo que deveria estar ali. Era uma espécie de monstro gigantesco que, agora, olhava para  o ciclista todo machucado no chão.

                M virei para a frente e voltei a acelerar. Tatiana tentava se desvencilhar de uma garota de uns 3 anos, que aparentemente a segurava pelo calcanhar e mordia sua coxa. Eu apanhei uma lata de lixo de grade e bati na pequena monstra com ambas as mãos, machucando um pouco Tatiana, mas ela pareceu agradecida.

                Nossas mãos se tocaram e corremos juntos. Ouvi gritos, que pareciam do ciclista mais atrás e um brilho vindo de trás da gente me jogou ao chão, junto com Tatiana. O que vimos foi o monstro, um bípede do tamanho de um prédio, lançando brilhos de seus olhos, em direção a vários alvos. Não vi Sérgio e Bia atrás de nós e imaginei o pior. Me levantei, quase arrastando uma Tatiana histérica e corremos para  o carro. Ele estava perto da gente, agora um pouco amassado na lateral, e uma confusão de pessoas tentando entrar em seus veículos, buzinadas e gritos agora se espalhavam por toda a rua.

                Bipei as portas para abrir enquanto Tatiana dava a volta por trás do veiculo e chegava no lado do passageiro. Abri a porta e sai pela calçada, com um solavanco, enquanto Tatiana acabava de se jogar para dentro. Foi uma boa escolha, porque, apesar de tentar desviar de alguns pedestres ocasionais, a calçada lçarga estava mais fácil de andar do que a rua, com vários veículos dando um nó até o semáforo. Passei batido e acelerei.

                A perna de Tatiana sangrava. Um pedaço de carne arrancado, agora era esterilizado com desodorante spray que tinha no porta-luvas. Um quarteirão depois policiais começavam a fechar uma barreira, que passei por pouco.


                Quando saímos da zona de perigo, diminui a velocidade, até parar,  e eu e Tatiana nos abraçamos. Só paramos quando um grupo de crianças passaram por nós. Olhamos atentamente para elas, mas elas pareciam estar indo para alguma excursão de bandeirantes ou algo assim.

                Não vi nenhum olhar púrpura em seus rostos. Dessa vez.

                As horas seguintes foram caóticas na cidade, com avisos sobre um caminhão de químico que teria explodido no parque. Os sobreviventes, todos devidamente medicados, apareciam aqui e ali com relatos estranhos sobre canibalismo e monstros roxos gigantes. Sobre armas laser e sobre mortes terríveis.  Os noticiários afirmavam que era parte de uma alucinação coletiva causada por uma substância com um nome gigantesco e incompreensível.

                Aparentemente, das pessoas que estavam naquela parte do parque no dia, só nós vimos e escapamos. A cicatriz na coxa de Tatiana não nos deixa esquecer, e nós evitamos falar sobre  o assunto. Tatiana aliás, não quer mais me ver, e quase nunca fala comigo ao telefone.

                Agora eu escrevo de meu apartamento. Descobri que existe uma guerra santa a uma entidade conhecida como Ba´hnaei em alguns sites da internet. Alguns dizem que é um alienígena que está no nosso planeta para nos criar como gado. Outros que é um arquidemônio, que tenta dominar os corações mais puros e deles se alimentar. Todos concordam que é um inimigo a ser neutralizado.

                Arrumei minhas coisas e estou de partida. Uma pessoa da Jihad virá me buscar daqui a pouco. Envio este e-mail a todos os amigos que consigo me lembrar, exceto para a Tatiana, que vou, uma vez mais, tentar convencer Tatiana a ir comigo para um local mais seguro. Não acreditem em seus olhos. Não deixem seus filhos sofrer lavagem cerebral, e se achar que alguém tem olhos púrpuras, saia de lá imediatamente.



                De Tatycox@castermail.com.br:

                Estevão, eu sei que não tenho respondido você direito nessas semanas, e me desculpe por isso. Eu sei que tenho sido meio esquisita depois do que me aconteceu antes, e naquele dia no parque, mas acredito que esse tipo de coisa, se tanta gente está tentando fazer parecer que nunca ocorreu, que é melhor a gente ficar quieto. Lembra aquele cara esquisito anotando nome de pessoas no enterro da Bia? Agora pouco vi da janela aqui do apartamento um cara parecido com você atravessar a rua e ser atacado por um monte de colegiais e estou com medo.  Por favor, me responda logo, que estou preocupada. Vou nessa, me escreve a hora que ler isso. Estão batendo na porta, minha pizza chegou rápido. Vou pegar e volto pra ver se já leu.

Com S2, Taty
xxxxxxxxxxxxxxxx


Brega Presley


Ps: Outro texto, de Eder Marques, pode ser encontrado AQUI