Mostrando postagens com marcador Robocop. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Robocop. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de março de 2014

Uma Ultima Coisa Sobre o Antigo e o Novo ROBOCOP

Sim, eu sei, falo demais sobre isso. Mas é a ultima vez que falo dos filmes, por hora, exceto para adaptar algumas das coisas para Cyber 2020, juro.

Spoilers. Não assistiu ainda o filme, não leia a partir daqui. Abraços.

Passadas quase duas semanas da estréia do filme, e tendo assistido duas vezes, dá para falar um pouco, agora, do filme do Padilha.

Antes de tudo, mantenho a minha opinião: É um bom filme, sim, e um reboot razoável da franquia, que andava perdida entre mutantes, jatos voadores e o filho do Murphy crescido e virando policial.

Qualquer coisa de Robocop 3 em diante era um lixo, e muita gente se esquece de quão ruim a franquia foi ficando. As animações nem digo nada, porque gosto de algumas idéias ali, mas achei a HQ do Frank Miller com o roteiro original dele um saco (questão de gosto).

Há quem pense que cyberpunk é somente violência, ou crítica social feita com violência. Apesar deste quesito fazer parte da equação, ele não é primordial. Cyberpunk fala de tecnologia e de suas consequencias na sociedade. E fala de identidade individual em meio à multidão.

O "Movimento" tem uma raiz de percepção social fortemente ligada ao anarquismo, a uma crítica ao consumismo, à dificuldade de ser alguém diferente quando se tem bilhões de pessoas ao seu redor tentando fazer exatamente a mesma coisa.

Os neuromancistas se preocupavam com ideais estranhamente romanticos (no sentido literário)com uma visão de ambientação  e de crítica à dependência da tecnologia bastante contundentes.

Também era uma critica ao uso do poder financeiro e tecnológico (simbolizado pelas mega-corporações) e das privatizações como uma diminuição dos direitos de cidadania.

(Há uma fala em Robocop 2 que expressa bem isso, quando o "Velho" presidente da OCP diz que "somos extremamente democráticos, afinal, qualquer um pode comprar nossas ações". O que é uma falácia, se considerarmos que é um sistema que dá mais direitos a quem tem mais dinheiro, mas isso é outra discussão).



A escolha de Detroit como cenário dos filmes não é casual. A cidade tem, historicamente, enormes problemas de distribuição de renda, sempre foi violentissima e sempre teve um enorme antagonismo entre as classes sociais.

Hoje em dia, com as grandes empresas saindo da cidade (e do país) para montar fábricas em locais menos, hum... "preocupados com direitos trabalhistas" deixando desempregadas multidões de trabalhadores na cidade, fez com que Detroit se tornasse uma cidade deserta.

É aí que entram os filmes. Ainda que Robocop I (da decada de 80) tenha sido feito antes deste processo estar tão acentuado, foi realizado em plena era Reagan, quando as politicas economicas a lá "toyotismo" começavam a se mostrar de fato (não é a toa quem o vilão de Robocop 3 é japonês, mas isso é uma longa história).

Nos anos 80 o cinema experimentava, no pós - Vietnã, ainda, uma "liberdade criativa" com o uso de violência em filmes de ação inéditos. A violencia havia se tornado algo pessoal, desde os anos 70, com televisores trazendo os horrores da guerra para dentro de casa,  com colares de orelhas e com maniacos metralhando gente dentro de lanchonetes fast-food (um fenomeno endêmico similar às tragédias de crianças atirando em colegas dentro de escolas de hoje em dia). O horror, o horror.

Começando com Rambo 1 e 2, por exemplo, mas alguns dos maiores clássicos de filmes e heróis de ação são dos anos 80 (com algumas franquias de ação durando até hoje, como Rambo, Duro de Matar e, claro, Robocop). Isso é preciso que se tenha em mente. Violência vendia bem, e violência extrema vendia extremamente bem. Ainda hoje é assim, mas na época era uma novidade.

Assim, nada mais lógico para  o olhar de hoje, que Robocop tenha sido memorável nas cenas violentas. Era essa a linguagem de então para um filme ser um blockbuster e era isso que pagava o filme.

Atualmente, apesar de violência ainda vender bem, o mote é o "cinema-explosão", no estilo "Michael Bay", com cenas mais panorâmicas e abuso da computação gráfica. Mas, assim como a violencia "pessoal" dos filmes nos anos 80, muitas vezes era desnecessária para se contar uma boa história, o cinema exp´liosão de hoje em dia muitas vezes é uma perda de tempo. Ou alguém consegue ver, diguemos, Transformers 3 e afirmar que aquilo ali faz algum sentido?
No entanto, não deixa de ser curioso um ponto: Essa violencia de "video-game" atual, distante, explosiva, lembra, assustadoramente, os drones. Sob vários aspectos, esse novo formato de guerra que se configura hoje em dia não traz a violência para dentro das casas e preocupa "o cidadão de bem". (E não, nem de longe a culpa é dos games, eles são parte do fenômeno, uma expressão do que vem ocorrendo, não a causa do problema).

Os drones são uma expressão deste novo fenômeno de violencia. Assim como em Robocop original, cenas de desmembramento e derretimento por acido eram uma expressão da época, que exorcisava certos demonios, uma crítica mais severa ao tipo de guerra travada hoje em dia é relevante.

Daí a obra do Padilha ser fundamental, por razões diferentes da do original, sem ser panfletária.

Ele disse, na cara dos americanos, com o dinheiro de grandes estúdios americanos, e nos cinemas americanos, que eles são um bando de imperialistas, que o tipo de proposta e resolução para  o mundo que eles propõe, não é apenas "nada democrática", mas uma ação de marketing, manipulativa e agressiva.

O que mais me assustou no filme não foram os drones, no entanto, mas  o uso extensivo de câmeras por todos os lugares. Não há mais espaços privados na cidade, tudo é vigiado por câmeras e, esse é o pulo do gato aqui, o filme foi produzido até mesmo antes das denuncias sobre  o abuso de autoridades americanas na vigilância e espionagem de todos e qualquer um no mundo. Tio Obama certamente está "lendo" esta postagem. E pior, sabe que VOCÊ está lendo também. Legal, né? Dêem um olá para a NSA.

Enfim, cada filme pescou, sim, o espirito de suas respectivas épocas.
Robocop Original fez isso de forma muito mais ostensiva, e por isso será sempre um clássico, enquanto o remake/reboot atual possivelmente vai ter uma ou duas continuações (possivelmente mais violentas) mas sem virar um clássico das mesmas proporções.

E tudo bem. O filme cumpriu sua parte. Diverte, traz alguma reflexão e crítica e vale o ingresso. Sem ser  o desastre que foi outra refilmagem de Paul Verhoeven, "Total Recal".

Por mim, eu dou um dolar por isso.

Faça de preto, é mais tático:
Além disso, o novo Robocop é quase um meta-filme sobre ações de marketing. A preocupação do presidente da empresa não é mais a violencia nas ruas, mas como vender bem seu produto, como fazer a população achar que quer seus produtos. Isso dito por um ex-Batman. Padilha dizendo que o filme é "um filme brasileirio" aqui, por exemplo, e o ator do filme usando uma camiseta do Flamengo, a antecipação midiática ao filme, jogos, sites, e videos sendo cuidadosamente lançados na rede. Uma das grandes sacações foi o filme quase ter sido lançado primeiro aqui no Brasil. Porque o estúdio aceitou uma reinvindicação do diretor? Não, porque aqui o filme estava sendo mais bem aceito que lá fora, e se sapisse aqui antes poderia ser que fosse
melhor recebido lá "acabou não rolando, de qualquer forma).

Não é só Robocop faz ações de marketing, aliás, mas pelo menos é honesto (em termos) reconhecendo que a roupa preta faz parte disso. em um shopping aqui na Tijuca tem um boneco do Robocop, de preto, claro, para as pessoas tirarem fotos ao lado.

A ironia da coisa toda é divertida, desde que se dê conta.

Brega Presley

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Fui ver o novo robocop...

... e, não acreditem em mimimis.
O filme é bacana, o roteiro funciona e as cenas de ação são bem feitas.

Não é do naipe do original, mas nada, nunca será, porque o original é o original.

O filme diverte, dá uas cutucadas no imperialismo e no uso de drones e é isso que eu esperava.

Gostei bastante.

A nova versão da musica tema (quase igual a primeira, mas atualizada) é boa, e  os atores coadjuvantes tão fodasticos. Quem é mala pra caray é o ator de Robocop, mas ele cumpre o papel a contento, então sem crise.

Sem mais pára não dar spoilers.
Em alguns dias mando adaptações para cyber 2020.
Braços

Brega

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Fãs de Robocop, Assistam "Our Robocop Remake"

Robocop é um icone cultural, algumas vezes mais relevante do que imaginamos.

Um dos filmes mais celebrados dos anos 80, nunca foi devidamente respeitado em suas continuações (mesmo em Robocop 2, da qual sou fã).


Robocop voador, Robocop fazendo propaganda de lanchonete, e isso sem falar na série canadense que é de doer.

Mas, ao mesmo tempo, algumas de suas cenas são icônicas, repetidas em citações e, claro, em uma mesa ocasional de Cyber 2020 por este que vos escreve.

Certamente eu teria um outro olhar, menos crítico, sobre os desmandos em Detroit se não conhecesse a cidade destes filmes, que até financiamento coletivo para uma estátua de bronze com o enlatadão já teve.
O Remake (ou Reboot?) do Robocop de Padilha, que sofre inumeras criticas de fãs saudosistas, mas que tem se saido bem em bilheterias e recebido alguns elogios, não parece ser ruim (descobrirei semana que vem, quando estrear).

Mas, justamente por causa desse novo filme, uma das maiores homenagens que já vi a um clássico foi produzida.

Falo de "Our Robocop Remake", que é um filme meio paródia, meio homenagem, da história original.

Basicamente um grupo de cerca de 50 cineastas (a maioria amadora, acredite) refez, uma a uma , as cenas cada um com um estilo e atores diversos.

Com cenas usando bonecos playmobil, bebês atores, releituras dos ultimos pensamentos de um Ed-209 prestes a ser implodido, muita atuação canastra, perucas e quilos de papel alumínio, é um filme divertido de ser visto para quem já viu o original.

Até um dinossauro feito de um... bom, um dinossauro, eles usaram, em uma das cenas mais doidas do filme.

No final, uma cutucada no novo Robocop, que ninguém é de ferro (apesar de eu, pessoalmente achar que são obras diferentes, para publicos diferentes e que o Padilha tem meu voto de confiança) sobrou.

Perca seu tempo. Se quiser, assista aos poucos, necessariamente após ter assistido o original, e veja as soluções, os dialogos e divirta-se nessa versão totalmente digna dos "suecados" , para o original de  Paul Verhoeven.

O vídeo acima é só um trecho, o filme inteiro pode ser encontrado no youtube aqui:

(ps: não é um filme para menores de idade).

Brega Presley

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Porque Estou Otimista com o Novo Robocop

Pouca gente nesse mundo é mais fã de Robocop do que eu.
Sempre existe alguém mais maluco, ok, mas nem de longe sou alguém que manja pouco do cenário e da história dos filmes, livros e seriados.

Pode ser, portanto, que minha visão venha do fato de eu ser fã.
Mas, por outro ladom, não sao poucos os fãs que desgostam de determinadas adaptações, boas ou ruins de seus filmes e quadrinhos favoritos.

Então só o que peço é o benefício da dúvida. O resto é com vocês.

Vamos aos pontos que considero importantes:

-Em primeiro lugar, o filme é dirigido por um excelente diretor. para muito além da violência de Tropa de Elite, o Padilha fez um filme extremamente crítico do funcionamento e das soluções sociais encontradas para se enfrentar a criminalidade. Mais do que um mero "ode à violência policial", o filme mostra a parcela de culpa que a própria sociedade tem para a situação ficar como ficou. Ao lado de "Cidade de Deus", foi um filme que usa a violêncioia de forma não-ortodoxa para criticar a própria violência como meio e fim social.

-Em segundo lugar, o filme tem atores extremamente capazes. Como o original, por sinal. Só o novo Robocop que ainda não me convenceu, mas conheço pouco o trabalho dele e não acho que ele seja de todo mal. Ainda que bons atores não segurem sozinhos um filme ruim, em geral é indício de que é uma produção bem cuidada.

-Em terceiro tem a polêmica a respeito do "Pg 13", ou seja, do filme ter sido liberado para expectadores de 13 ou mais, o que é indício de menos violência visual. No começo fiquei apreensivo. Agora estou otimista com relação a isso. E explico:
Um bom filme não precisa ser cinema explosão para funcionar. Se explosões dessesm resultado, filmes do Michael Bay seriam obras-primas. Muito barulho significando nada costuma resultar em filmes esquecíveis.

Não parece ser  o caso de Robocop. Ao contrário, o filme pelo que consegui depurar, vai falar de assuntos esdpinhosos, como o uso de drones pelo exército, a desumanização literal e metafórica de ações políticas em guerras pelo governo americano, a tentativa de fazer dos agentes modificadores da sociedade seres minimamente pensantes e violentos (e quem andou vendo as ações da polícia brasileira em alguns casos nas manifestações há de concordar que policia brutal não significa policia competente ou desejável em prol de direitos civis).


Em Quarto, a temática permanece atual: O "movimento", ou "literatura Neuromantica" ou ainda "cyberpunk", foi uma escola literária que já foi dada como falecida algumas vezes.
De fato, muita coisa mudou e ela, hoje, não tem os mesmos moldes dos anos 80. Mas isso não é porque as "previsões" e as críticas sociais estivessem erradas, mas sim porque nós SOMOS os cyberpunkers.

As pessoas vivem plugadas (inclusive quem lê este texto agora), a informação é algo tão banal que assuntos relevantes ficam escondidos em meio a futilidades, como a de uma tor se espreguiçando em um aeroporto. Temos implantes por todos os lados, seguindo a visão dos pensadores de Berckley (em especial Donna Haraway) aonde convivemos já com implantes, dentários, pinos de ferro em ossos, cirurgias corretoas de deficiencias visuais, olhos cibernéticos prometidos para os próximos anos, e até corredores com pernas sintéticas vencendo provas olímpicas.

Do mesmo modo, cada vez mais temos nosso cotidiano envolto em necessidades corporativas, em direitos de cidadania sendo substituidos por direitos de consumidor (ou você acha que os criticados rolesinhos , que são uma luta por consumo, não por cidadania, são feitos em shoppings à toa?).

Em Quinto: A nova versão do policial tem, sim, pontos positivos. A mudança do uniforme para  o tom negro, sugestão feita por um "ex-Batman" , tem um quê de ironia interessante. A mão humana, que é explicada no filme, também não é ruim. Só é algo inesperado e que torna  o policial algo mais dúbio em sua natureza. Ele ter família ao mesmo tempo que para de sonhar (devo essa ao site Jovem Nerd ) - o que, por sinal, me faz lembrar do título original do livro que virou Blade Runner ("Does Android Does of Eletric Sheep?") - é uma proposta interessante.

Recomendo que assistam ao vídeo do Padilha falando sobre  o novo filme  (spoilers, assista por conta e risco).:

Exemplo de ação, para quem acha que um filme de ação só existe com violência:
Que  o est´pudio encheu o saco do diretor, a gente sabe. Mas pessoalmente confio na competência dele em ter driblado tudo isso para conseguir contar uma boa história.
------

Brega Presley
(Obrigado ao Thiago Lima pelos vídeos)

Ps:
Enfim. alguma coisinha a mais, para quem quiser ler:


O filme não é desnecessário. Ao contrário.
Ele é uma história a ser atualizada, mas relevante como sempre. A ironia é que, apesar de ser disponível para um público mais novo o filme é ao mesmo tempo mais maduro.

Porque quase 30 anos depois, a Detroit do mundo real é um deserto de pessoas, destituida de importância por causa de políticas industriais visando lucro. Sem falar nas bolhas imobiliárias.
Porque 30 anos depois temos governos estrangeiros vigiando cidadãos comuns. Câmeras vigiam cada passo dado, cidadãos são tratados como terroristas, as opiniões de pessoas opiniões de pessoas indepententes são compradas, e nunca soubemos tanto sobre  o que ocorre no outro lado do mundo, mas ignoramos nossos próprios vizinhos.

Enquanto você lê isso, agências americanas e sabe-se lá quem mais, tem acesso a e-mails e blogs. Usa jogos de crianças, como Angry Birds (não, não é exagero, veja maissobre os Angry Birds nesse link), e usa drones, do mesmo modo que  o filme planeja, em ações militares bastante controversas.

Não apenas Robocop é um filme, ainda que made in Hollywood, necessário. É um filme que, suspeito, pode ser fundamental para quem não costuma pensar sobre essas coisas a ver o mundo de forma um pouco mais conciente.

Só esperemos que não pare por aí. Mas já é alguma coisa.