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terça-feira, 10 de março de 2015

Ô Minha Paciência! Ainda Sobre Machismo

Então Vamos Lá:
"They pull me back"

Amigos sabem que estou fora do Facebook por algum tempo, e, portanto, fora de boa parte das gasturas que algumas discussões pentelhas produzem.

Mas, acabo recebendo notícias sobre algumas besterias sendo feitas no mundeco nerd e é o tipo de coisa que não se pode, e nem se deve, haver silêncio a respeito.

Sim, lá vou eu de novo ter de falar sobre machismo no mundo do RPG, e se VOCÊ caro leitor, não aguenta mais ler sobre isso, imagina eu que tenho de escrever a respeito.

Faça melhor: Imagine as amigas, mestras e jogadoras que ainda tem de aturar essa babaquice e entenda que isso não é algo a qual possamos nos omitir.

Então vamos lá: Ontem, para desavisados, foi Dia da Mulher. Uma daquelas datas que servem, ao mesmo tempo, para fortalecer a luta de minorias, ao mesmo tempo que reafirmam, negativamente, que os restantes trezentos e cacetada não são deles. Ou, no caso, delas.

Aí que um grupo de Sampa teve a bacaníssima iniciativa de organizar um dia para mostrar a outras mestras e jogadoras que elas existem, que tem voz ativa e que não s]ão acessório ou chaverinho de jogador.

ABERTO AO PUBLICO MASCULINO, mas feito por mulheres do começo ao fim, o Primeiro Encontro de Mulheres RPGistas foi, tenho a certeza, um daqueles momentos especiais e históricos. Até aqui tudo bem?

Muiiito bem, aí HOJE, 9 de março, apenas um catso de um dia depois disso, me falam que foi publicada em um site a charge abaixo, devidamente "riscada" para não ser repassada :

Aí vão dizer "Mas catso, Brega, até que não foi tão ruim...".

Bom, não estou acompanhando debates, como dito acima, mas DEFINITIVAMENTE esse tipo charge não é o que chamaria de humor fortuito, e vou explicar:

PRIMEIRO: Já parte de uma defesa estúpida, de cara, de que mulher só vai em RPG como namorada. 

Estão aí as moças promovendo um encontro para provar o contrário, então, não, não são somente namoradas que vão em encontros, não sejam limitados.

SEGUNDO: A charge é um desastre porque transforma todo e qualquer RPGista em um potencial  tarado sexual que, por ter uma jogadora mulher, a tratará como uma "conquista", mimando-a.

Sério, isso? Ainda tem gente que está na 5a. série e pensa assim? Por favor, né? Vamos crescer, cambada.

Alias, a charge corre o risco de justificar o ato de um babaca como um mestre que fizesse isso culpando o cara que foi com a namorada como o culpado, em vez do palerma que der em cima de alguém e privilegiar alguém em sua mesa por motivos torpes.

TERCEIRO: Transforma as mulheres em seres irascíveis. Do tipo "ciume babaquinha", como se não estivéssemos falando de outro ser-humano, plenamente em domínio de suas capacidades mentais, e que não soubesse diferenciar fantasia de realidade.

Enfim, é incrível que com tanta coisa acontecendo e sendo comentada e conversada nos dias de hoje esse tipo de bobeira ainda persista e seja repetida.

Aos que defendem que isso é "humor", uma lição, que parece que precisam: Humor contra quem já é perseguido não é humor, é filhadaputice.

Humor, quando é algo respeitável, brinca com quem oprime, transformando o algoz em alguém frágil e, assim, diminuindo as mazelas de quem sofre.

Se em um colégio tem algum aluno sendo sacaneado pelo resto da escola e você ajuda a tirar sarro, , você não está sendo "engraçado", não está sendo "descolado". Está só sendo escroto. E se não gosta de ouvir isso, imagina as gurias e guris que vão a eventos juntos e precisem ver esse tipo de boçalidade sendo tratada como assunto corriqueiro.

Se há uma coisa que a psicanalise nos ensina, meus amigos, é que o humor pode ser revelador de algumas de suas crenças mais arraigadas. Reveja os conceitos, amiguinho.

Enfim:
Titio Brega não anda popular entre alguns grupos de jogadores (e anda com a mania de falar sobre si mesmo em terceira pessoa), mas é preciso que a gente pare de tratar coisas desse tipo como engraçadas.

Temos um hobby. Que PRECISA ser democratizado enquanto possibilidade de diversão. E isso só se obtém quando tratamos, para variar um pouco, o outro, o que é diferente de nós mesmos, como alguém que merece um pingo de respeito.

Vamos parar de tratar mulheres como "a namorada do fulano". Elas tem nome, são mestras, jogadoras autoras e organizadoras. Muitas, na nova geração, nem mesmo começaram a jogar "porque o namorado joga", mas antes, foram a eventos e grupos pelas próprias pernas.

Melhorem as cabeçolas, por gentileza.

Ps: Tenho a firme convicção de que a maioria dos RPGistas não tem mente tão obtusa a ponto de defender machismos e suas derivações. Que são casos isolados dentro do todo da comunidade, e, portanto, o texto não deve ser novidade para a maioria. Ou assim espero com todas as minhas forças..

Braços.

Ps2: Gostei da charge abaixo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Editora New Order Solta Nota Também criticando o Machismo

Nossos parabéns à Editora, de quem já somos fãs faz tempo, pelo posicionamento.
Reproduzimos abaixo, mas o lin k original é ESTE.

"New Order Editora
Por um RPG sem machismo!

Diante das imagens, artigos e discussões que se espalharam na Internet na última semana, a New Order não foge do posicionamento claro: atitudes machistas apenas enfraquecem toda a cena do RPG no Brasil, agride mulheres e cria uma imagem negativa do nosso hobby, afastando novos jogadores e mesmo antigos, afetados pela ignorância de alguns jogadores que insistem em não ente
nder que RPG é sobre um grupo de pessoas que, amigas que são ou serão, dedicarão algumas horas do seu precioso tempo para construir mundos imaginários fantásticos, divertidos, épicos e que podem enriquecer muito cada pessoa.

É na convivência com a diversidade de pessoas, com respeito entre todas elas, que a cena se fortalece. E isso só acontece quando não há desrespeito.

A New Order não só não "passa a mão na cabeça" de quem não entende que os jogos são de todas as pessoas que se divertem com eles, e que todas as pessoas têm direito de se divertir sem sofrerem ofensas, abusos ou opressões, como dá espaço para mulheres que se envolvam com a nossa comunidade e mesmo com o nosso mercado de fazer parte do nosso sonho de trazer jogos de temáticas diferentes para o mercado brasileiro, com a qualidade e o comprometimento que todas as pessoas que jogam merecem.

O machismo é nocivo para todas as pessoas. Mulher e RPG combinam simplesmente porque mulheres, afinal, são gente.

Esperamos que o recado seja entendido!"

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Nós podemos ser melhores do que isso, pessoal.
Esta na hora de pararmos de agir como ogros.
Abraços

Brega Presley

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sim, Ainda Precisamos Falar sobre Machismo

Qual não é minha surpresa, depois de todo o rolo da semana passada de ver a imagem abaixo (o traço em vermelho é meu, para ninguém sair repetindo essa foto estúpida).



Já passamos, há alguns anos, do período do "Mulher que joga é namorada do mestre", etc.

O número de jogadoras que tem buscado o RPG (e Boardgames) expontâneamente tem crescido, já que os temas relacionados como Fantasia, FC, Animes e afons tem se tornado mais populares. 

Meninas Lêem Harry Potter, assitem animações japonesas, jogam games medievais e curtem musicas, camisetas e afins como meninos.

Nas oficinas que faço de jogos com a molecada uma das turmas tinha, no ano passado, 4 meninas e somente dois guris. Talvez não seja a realidade na maioria dos casos, mas é um indício de que temos de perder essa mentalidade sexista estúpida de que garotas só jogam porque querem agradar namorados, pais e afins.

Pode ser que na média a maioria dos RPGistas permaneçam sendo um publico masculino, mas é inegável que o perfil atual de mercado comporta um leque de gostos e opções que difere, e muito, de como a mídia nos retrata (em geral um bando de punheteiros virgens sem vida social).

Se queremos um espaço de jogo como RPG, não se pode permitir que este espaço seja tomado por um chauvinismo pueril.

Nem em RPG e nem em outros tipos de atividades "nerds". O mundo é meio grande para termos de nos limitar a essa mentalidade tão pequena.

Façam barulho e ajudem a evitar que nossas colegas RPGistas e nerds ainda sejam tratadas como pedaços de carne.

A Humanidade agradece.

Adendo (9/2)
Saiu uma postagem excelente da Natalia Avernus sobre a questão.
Sugiro fortemente a leitura: