Sim, eu sei que mexo em um vespeiro. Mas sou paulistano, e mesmo morando no
Rio (minha esposa é carioca), ainda me sinto paulista de várias formas. aSSIM, SE SÓ FOR LER ESSE PARÁGRAFO e me acusar de ser carioca, e por isso "não sei do que falo", nem perca seu tempo.
São Paulo ou tem tido eventos de menos ou tem divulgado os mesmos de menos, e, infelizmente, creio na primeira opção.
Tendo vivido em ambas as cidades, aposso dizer, sem sombra de dúvida, que o ambiente para RPG entre os cariocas é mais propício para formar novos jogadores do que o paulistano no contexto atual, e seguem daí algumas considerações:
I)Rede de contatos: Quem já ouviu falar de "graus de separação" deve entender do que falo, mas vou explicar um pouco, ainda assim:
A Idéia dos tais
"graus de separação" é a de que cada pessoa estava separada, uma da outra, (nos EUA, na pesuisa original) por até seis "graus de separação". Cada grau era "uma pessoa que conhece uma pessoa". Ou seja, se eu não conheço Siclano, mas conheço Beltrano, que conhece Fulano, que conhece Siclano", ou , em termos gerai,s estou a "dois gruus de separação (Neltrano e Fulano) de "Siclano".
Aqui no Rio a imensa maioria dos jogadores de RPG (e tabuleiro)estão a uns dois graus de separação, no máximo, uns dos outros.
Um exemplo: Fui ontem em um bom evento aqui no Rio na Livraria Cultura. Não conhecia os organizadores, mas conhecia o Plebeu, que conhecia o Felipe que conhecia io Itamar, organizador do evento. Dois graus de separação.
Na maioria dos casos, tenho amigos até mais diretos em comum com alguém. Possivelmente, eu e o Itmar temos algum amigo em comum até mais diretamente.
Isso me facilita a saber quem é o Itamar, a ter referências sobre ele, por dizer asism, e ficar mais tranquilo de ir ou de levar minha familia em um encontro promovido por ele.
Isso também garante ao Itamar alguma contra-partida. Se eu fosse no evento e fosse um grande imbecil, ele teria como, atravéz da rede de contatos em comum, a possibilidade de alertar outras pessoas sobre minha conduta.
Conhecer pessoas em comum também é uma forma do cara ser mais responsável, evitar dar um vexame ("Afinal, o que o Plebeu e o Dodaro iam pensar se eu fizesse tal coisa em um evento de um amigo deles" etc
(o caso é meramente ilustrativo, e uso pessoas conhecidas aqui no Rio com quem me dei bem, para exemplificar).
Então este é um ponto relevante: Ter amizades em comum ajuda um narrador a honrar o compromisso de ir a um evento, tanto quanto a ele confiar que os organizadfores são gente boa. Mas mais do que isso, ele vai a um evento SABENDO que, com grandes chances, irá encontrar uma pessoa conhecida.
Por que isso não funciona em Sampa?
Não sei, mas algumas possibilidades:
1) A cidade é muito maior - Verdade. E de difícil acesso. Eventos, para funcionarem, precisariam ser centralizados entre participantes em potencial. Por exemplo, se moro na Vila Sônia, ir a um evento na Móoca é mais complicado e vice-versa.
2)Descompromisso?: Nada contra, cada um tem suas prioridades, mas sugiro a mestres que desejam que o hobby continue a crescer e a atrair novos jogadores, que revejam este tipo de postura. Não adianta ficar sentado esperando a coisa acontecer.
Em uma conversa com uma jogadora aí de Sampa, ela comentou que tentou fazer um evento na paulista e chamou uma série de mestres para dar uma força no evento, mas o pessoal simplesmente não quis dar bola. Aí é fácil gente achar que RPG não existe mais no Brasil.
Não se mudam governos, não se muda nem a escola do filho se ficar aguardando outra pessoa fazer alguma coisa. Se não quiser se comprometer, ok, mas se está lendo este texto e quer fazer algo, se mexe, cara, porque essas coisas precisam de algupem que faça e se nem VOCÊ que está lendo isso se mexer, quantas mais acham que vão ler e pensar no assunto? Pois é, isso mesmo, ninguém. Sobrou procê, meus parabéns e conte com a gente no que pudermos ajudar.
II) À espera de Grandes Eventos: quando a DEVIR era toda-poderosa no mercado, um encontro Internacional era uma maravilha. Era uma oportunidade unica d ejuntar 600 cabeças ou mais em um ou dois dias de evento e jogar a rodo. Para muitos era a única oportunidade.
Ocorre que Eventos Grandes muitas vezes não acontecem, em primeiro lugar. Além disso, eles tem objetivos mais centrados em promover encontros estupendos, mas só um ou dois dias por ano, se tanto. E isso não fideliza jogadores.
Um exemplo claro é o "boom" do RPG nos anos 90, cujos jogadores quase sumiram depois de poucos anos, alguns pararam de jogar, outros abandonaram o hobby por razões diversas e outros simplesmente começaram a jogar outras coisas, como cardgames (nada contra, mas não jogam mais RPG).
Existem bons encontros mensais ou mesmo semanais em Sampa, como os dois semanais promovidos na Livraria Terra Média (organizado pelo grande Jaime e sua intrépida trupe de metagamers). Há o sensacional bar "Luderia" e a Moonshadows, estava com planos interessantes de jogos aos sábados. Talvez a Cultura de São Paulo tenha projetos similares, mas aí não tenho notícias. Mas não é comum, sejamos francos.
Os encontros rotineiros (mensais quinzenais ou semanais, menores)FIDELIZAM o público. Por razões relacionadas ao item "I", entre outras coisas, o cara pode ir jogar sempre, conhecer coisas novas sempre, menstrar ou jogar de acordo com sua vontade, e a troca de i´deias sobre sistemas, livros, aventuras e formas de cada mestre conduzier uma aventura são únicas.
Para a moçada dos boardgames é uma forma de não precisar comprar os mesmos jogos que todo mundo sempre compra, e multiplicar os tipos de jogos existentes. Para RPGistas significa não precisar ler um caramanhão de regras a cada vez que quiser conhecer o sistema x ou y, mas de jogar com alguém que conheça, ou mesmo de apresentar algo particular que goste e queira divulgar.
Isto favorece o crescimento de novas editoras, novos autores, de novos produtos, de novos jogadores, e a cada um destes itens, no final das coisas, podem ser facilitadores e multiplicadores dos jogos.
Pequenos eventos em livrarias podem trazer mais vendas, fidelizando clientes, o que é sempre interessante para quem fornece um espaço, e, melhor de tudo, mostra o RPG e jogos afins para quem nunca viu nada disso ou só ouviu falar.
Não uma vez por ano, mas pulverizado, em vários locais de uma mesma cidade e DURANTE TODO O ANO.
Há uma escassez de eventos menores e mais constantes em Sampa. E isso vai acabar refletindo, com o tempo, em menos jogadores e hobbistas. Aí quero ver jogador de RPG reclamar que "poxa, meu filho não curte". Claro, e se curtisse ia jogar com quais amigos, se ninguém mais conhecerá? Pensem nisso.
O mais interessante nisso é que eventos menores e maiores NÃO SÃO excludentes. Ambos podem (e devem) ocorrer.
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O resumo da opera é o de que, enquanto temos pelo menos oito encontros mensais (6 de RPG, e 2 de boardgames)no mínimo, com uma população que tem a metade da de Sampa, temos pouca coisa ocorrendo em Sampa em comparação. Boas coisas, diga-se, mas ainda insuficientes para dar conta do potencial da cidade para o número de jogadores potencias que existem.
Se há uma coisa que aprendi no Rio de Janeiro é a de que, se quero ter o prazer de mais gente jogando, escrevendo e publicando RPG, é a de que é preciso conhecer mais pessoas ligadas ao hobby, procura-las, auxiliar essas pessoas, cometer erros (claro que a gente erra pra burro)mas saber consertar como possível e criar espaços para jogos.
É preciso que os diferentes grupos tenham, pelo menos, pessoas que possam levar algum tipo de interassão entre estes encontros. Tem sempre alguém que não se dá bem com alguém, mas é preciso que exista essa troca, emsmo se for indireta.
É preciso divulgar não apenas o SEU encontro, mas o de todo e qualquer encontro que saiba. Va a encojntros de outras pessoas, convide-as para o seu (e não se incomode quando elas fizerem o mesmo).
É preciso se experimentar jogos novos e abrir espaço para os mesmos, sem fazer somente campanhas ou mesas fechadas. Para jogar sempre a mesma coisa o pessoal joga em casa.
E, por fim, é necessário compromisso com a coisa se quiser fazer funcionar. Se não der certo de um modo, faça diferente. Crie comunidades no Facebook, monte um blog, saiba tornar seu encontro atraente para autores e editoras (sem se tornar dependente de sorteios, que isso é legal, mas fugaz, o evento tem de se manter por si de qualquer modo).
Coloco, em nome do Saia da Masmorra, o blog da gente, se precisar começar e não tem como começar a divulgar.
Mas outros grupos, dento e fora do Rio, creio, tem as mesmas disponibilidades, como Metagers, em Sampa, Dungeons Carioca, e Dungeons Mineiro (no Rio e em Belo horizonte), o pessoal do RPG em Natal, a moçada do RPG Urbano e RPG Aditivado, o pessoal dos "Senhores dos Jogos" e por aí vai.
Faça algo. Se não der publico, ou não tiver mestres, começa com uma mesa e dois amigos. Divulgue e mantenha a regularidade. Fale sobre o que tem feito, qual mesa quer levar em tal dia, etc.
Se não funcionar, pelo menos foi tentado. Se funcionar, mais jogadores poderão se encontrar e isso sempre ´pe legal.
Em qualquer um dos casos,o RPG nacional só tem a agradecer.