Eu não devia ficar surpreso, mas fico.
Sinal de que estou ficando mais velho, mas não necessariamente, mais esperto.
Mas vamos lá:
Foi um colega de outro evento mensal "curtir " um vídeo no youtube sobre "Gaymers" para chover uma penca de gente fazendo comentários dos mais estúpidos e retrógrados possíveis.
(Em uma comunidade que não era do SDM, mas com a qual nos solidarizamos. Quem não viu, mal aí, mas não vou ficar dando link, já basta ter de escrever sobre esse tipo de patetice).
Pessoal, é básico: Um grupo que sofre preconceito, inclusive com argumentos "religiosos" de parte da sociedade DEVERIA ser mais solidário com outras pessoas que sofrem preconceito.
Os mesmos que reclamam da dificuldade de jogar em uma familia de pessoas de determinada religião, ou que odeiam ser confundidos com virgens de filmes dos anos 80, ou que se emputecem com a forma como novelas e programas tratam a comunidade dos RPGistas, ficarem reclamando quando uma página ou postura contra o preconceito é elogiada precisam, com urgência, rever esse paradoxo aí.
É babaquice que, em pleno século XXI tenhamos gente tão preocupada com o que Fulano e Beltrano fazem entre dois lençóis. Não gostou do termo? Pois é, mermão, mas é exatamente isso.
O teu preconceito não é um direito. É a negação do direito que terceiros tem de serem que eles são. Direitos que nós, heteros, já temos, por sinal.
Conheço vários RPGistas, criadores de jogos, blogueiros e mestres que são gays ou LGBT, e aprendi uma penca de coisas com eles. Me orgulho por ter muitos deles como amigos e amigas e sei que não seria um jogador ou mestre tão bom se não fosse a cconvivência com os mesmos. A eles só agradeço.
O SDM, por sinal, só existe porque, entre seus fundadores, tinha um mestre, por acaso homossexual, que ajudou a caçar o primeiro local de encontro da gente, ajudou a definir diretrizes e organização do encontro. Ou seja, se você lê esse blog ou vai nos encontros do Saia da Masmorra, só o faz porque um gay gastou tempo e tutano ajudando a gente.
Assim como aconteceu com a gente, qualquer bom evento de jogos que se preze teve apoio e ajuda da galera LGBT entre apoiadores e frequentadores.
Eles somos nós.
Os mesmos gostos por jogos diferentes, as mesmas neuras com regras, os mesmos desafios de colocar a criatividade em um personagem ou cenário, as mesmas chatices até, vá lá, que temos eles tem. Não somos "nós" e eles". Somos todos juntos a mesma coisa.
Se eu tenho preferências pelo sexo oposto ou se o outro cara na mesa prefere um surfista saradão, pfff. Isso não muda o fato de que ele é um colega, um amigo muitas vezes e alguém que divide comigo algumas horas bacanas jogando algo divertido. Temos mais a ver com um cara assim, por acaso gay, do que com um bombado sem noção que enche a cara e sai espancando gente com um pedaço de madeira.
Pensem nisso.
Quem são os amigos e colegas LGBT? Pouco importa, na verdade. Nunca dei a mínima para quem é o quê, e não vejo porque isso seja da conta de mais ninguém, também.
Mas vamos deixar de ser tapados e vamos entender que nós não temos absolutamente NADA a ver com a vida sexual alheia, faz favor.
Assim como eu gosto de andar de mãos dadas com minha mulher na rua, ou de sentar e jogar com ela em uma mesa com amigos, é um direito básico que os LGBT também dispõe.
Enfim, não apito mais nada no Saia da Masmorra, uma vez que optei ser apenas autor do blog, mas isso, historicamente, posso dizer:
Qualquer tipo de preconceito não é bem-quisto por lá.
Nunca foi e nunca será.
E com preconceito não quero dizer "não curto a vida que eles levam". Isso é um direito. Não curto D&D, mas nem por isso vou odiar quem joga. Porque odiar é um tipo diferente de vibe. É não suportar alguém, a ponto de qualquer apoio ou palavra positiva sobre o mesmo ou mesma não poder ser expressada. e ISSO, camaradinhas, já é ridículo.
E, creio, falo por outros eventos no Rio e fora dele quando digo isso, é um tremendo contra-senso que em um jogo que permite a socialização e exalta a importância de pessoas com capacidades diferentes se encontrando, que existam pessoas que "surtem" porque o coleguinha curtiu um vídeo assim ou assado.
Em resumo:
Vamos respeitar os "gaymers".
Se você não respeita diferenças, na boa, sugiro repensar seu hobby, porque o RPG nasceu como um sistema de classes, com personagens com experiências diferentes aprendendo a conviver entre si.
Vamos deixar que nossos PERSONAGENS sejam medievais, no máximo, mas bora sermos um pouquinho mais legais do que isso?
Grato.
Brega Presley
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Os Limites do Trabalho com Crianças
Esse é um tema complicado. Até achei que já havia escrito sobre isso um tempo atrás, mas não achei, então possivelmente nunca escrevi, mesmo.
Vamos lá:
Tenho acompanhado (muito feliz) o surgimento de diversos trabalhos em escolas e ONGs utilizando jogos como ferramenta.
Como qualquer boa ferramenta, os jogos podem ser usados para diferentes fins. Defino aqui três grandes grupos:
1) Terapêutica: Áreas da ciência, sobretudo da psicologia, são vastos campos de análise e uso dos jogos e brincadeiras como forma de acessar e trabalhar a psicodinâmica infantil. Desde Melanie Klein, atividades como a "Caixa de jogos", onde figuras presentes e brinquedos permitem um "dialogo" entre o terapeuta e as crianças e pré-adolescentes atendidos através do simbólico das brincadeiras.
Outra forma de trabalho, nesse sentido, é a de Terapia Ocupacional, onde a atividade, em si, traz ganhos aos pacientes, como ajudar a memorização, trabalho de empatia, memorização, etc. (neste último conheço pouco, peço desculpas se falei uma abobrinha cavalar).
2) Pedagógica: São os jogos (RPG, Boardgame, Cardgame, etc) uma forma diferente de levar os alunos a pensarem uma temática. Lembro de um jogo de "War" que um professor de geografia fez com minha classe que foi perfeito para entendermos a geopolítica militar em algumas atitudes de gerenciamento de produução de bens. A aula rendeu bons debates e alguma coisa ainda me lembro mesmo mais de 20 anos depois.
Professores de redação, matemática, mas sobretudo de história, costumam ter excelentes trabalhos de campo nesse sentido.
3) Socializador: É o jogo pelo jogo. Alguns jogos "pedagógicos" erram exatamente quando se esquecem que um jogo tem de ser divertido, instigante. E a razão pelas quais as pessoas, sobretudo as crianças, jogam, é para passarem momentos divertidos com outras pessoas. Se um jogo não é divertido, como qualquer brincadeira, cansa e é deixado de lado.
Mas mesmo se não tiver, em si, uma das duas outras funções acima citadas, o Jogar é uma experiência única, quer seja competitivo, quer seja cooperativo, porque tem um desafio, um mundo com regras específicas que precisam ser seguidas para garantir a diversão e fortalecer vínculos e recursos internos. E isso, por si só, já é terapêutico e pedagógico.
O QUE ME LEVA a seguinte questão:
Quando forem utilizar jogos com alguma função, tenham em mente QUAL desses objetivos acima é o seu. Escolha um, vai por mim, não tente abraçar o mundo.
Vou me dar como exemplo:
Tenho uma oficina em um colégio aqui na tijuca. Meu publico alvo são crianças e adolescentes, a maioria de classe média (não somente) dentro de uma instituição de ensino.
Minha formação em psicologia passou por psicanálise infantil, já fiz quilos de trabalhos em educação Sexual com adolescentes, e tenho alguma base para analisar/ interpretar escolhas e projeções que ocorram em uma mesa de jogo.
E eu NÃO FAÇO ISSO.
Quando não estou em um consultório ou ambulatório, ou seja, quando não estou atuando como psicólogo, não tenho o direito de ficar conjecturando sobre atos falhos e conteúdos indiciários alheios. Primeiro, porque, para se fazer isso, o ideal são uma série de pré-requisitos técnicos que me permitam fazer isso direito: Entrevista inicial, setting, , etc.
Segundo, porque fora de um consultório não é o que me é pedido pelo outro. Se estou em uma mesa de bar, um amigo não vai querer que eu diga que ele está namorando fulana "por que ela lhe lembra uma figura maternal", por exemplo. Não à toa, usa-se a expressão "psicologia (ou psicanálise) de Boteco" para este tipo de interpretação.
Para se realizar um trabalho envolvendo os discursos envolvidos por jogadores, com uma função terapêutica, é preciso uma formação adequada - para não cairmos na analise superficial e potencialmente errônea e prejudicial - do "alvo" da interpretação. E familiares ou analisados necessitam estar cientes e concordar com isso.
Então, ANTES de começar um trabalho assim, defina quais são seus objetivos.
-Se for LUDICO, faça isso bem-feito. Em uma sociedade com tremendas carências, o simples ato de se sentar algumas horas e se JOGAR com uma criança faz uma diferença tremenda. Então se seu objetivo for o de fazer isso, faça EXATAMENTE isso. Jogos qu sejam interessantes, que tragam outras forms de se construir idéias, estratégias, interações, são algo que estimulam e ajudam quem joga a aprender recursos internos poderosos. Mas para isso elaas tem de se sentir à vontade com o jogar.
-Se for TERAPÊUTICO, faça isso somente com a formação adequada. Por melhores que sejam as intenções, há uma formação necessária para não se fazer besteira. E isso não é uma postura de "defesa de nicho". Até, porque já vi psicologos fazendo intervenções "terapêuticas" que foram extremamente danosas. Mas porque lidar com o emocional de outras pessoas requer uma enorme energia e cuidado, e isso só a formação acadêmica te traz. Não é simples "bom-senso". Psicologia, por exemplo, é uma ciência e tem suas razões práticas e teóricas para tanto.
-Se for PEDAGÓGICO, antes de iniciar o trabalho tenha uma planilha ou roteiro do que será ensinado, quais pontos a mesa pode ou precisa abordar para que a informação seja transmitida, como transformar isso em um desafio, e se um jogo tem uma função no ensino de fato ou é, só perfumaria (algumas vezes pode ser fundamental, mas nem sempre será a melhor escolha). Faça o jogo ter um significado, uma razão de ser, que atribua interesse ao tema escolhido.
Em resumo, cada linha de trabalho utilizando jogos tem uma função específica.
Mantenham o foco naquilo que o trabalho exige. Façam valer a confiança que as crianças e adolescentes tem em vocês ao se disporem a aceitar as suas regras e "jogar o seu jogo".
Exceto em casos de suspeita de abuso infantil, o que é algo que profissões como psicologia, medicina e odontologia DEVEM noticiar para órgãos públicos, a maior parte das coisas que eles digam ou falem devem ficar nas mesas, quando muito pessoais. Como regra geral, evitem interpretar os jogadores. a gente interpreta personagens em jogos, e é isso que fazemos bem.
É diferente você dizer "um aluno resolveu usar o anão do grupo como ariete e isso fez a aula ser engraçada" de "Fulano está demonstrando certa agressividade na interação com os colegas", o que pode se ruma analise precipitada e dar direcionamentos muitas vezes errados para aquele aluno em específico.
Algumas interpretações quando erradas ou muito parciais, podem comprometer ou limitar a visão de outros profissionais ou familiares sobre a criança, que muitas vezes é um MUNDO de possibilidades, e não somente o "Bárbaro Anabolizado" de uma aventura.
Sabem a velha máxima "O que acontece em Las Vegas, fica em Las Vegas"? pensem um pouco assim ao trabalhar ludicamente com essa faixa etária. Quando for para falar das aventuras, em si, acho isso bem legal, mas atenção ao particularizar jogadores.
Ps: Isso me leva a outro ponto, destacado pela Rafaela, uma amiga, ao ler o texto:
Abuso Sexual e Suicídio são dois temas raríssimos de serem identificados em uma mesa. Infelizmente, não são impossíveis de acontecer, e pode ser que surjam indícios em sua atividade.
Se acontecer, antes de tudo respire fundo. Depois, se achar que existe de fato algum risco à saúde do aluno envolvido, converse com a coordenação da instituição em que faça a atividade (diretor da escola, coordenador do projeto, etc.). Explique o que te fez suspeitar e deixe que autoridades competentes (como os conselhos tutelares) cuidem do caso.
Este tipo de diagnóstico não é simples e precisa ser feito com muita cautela.
Mas se for o caso, precisa ser feito.
Boa parte das ONGs e instituições de ensino tem regras já definidas sobre como atuar em casos assim. Descubra quais são e siga-as, se possível.
Algumas sugestões extras:
-Sempre que possível, jogue com as portas abertas. Ou, pelo menos, destrancadas.
-Converse com demais profissionais e adultos antes de começar o trabalho e fale sobre o que as mesas trataram, sempre que possível. Não sobre os jogadores, mas sobre o que a temática foi. Isso evita algumas interpretações errada sobre o
-Esteja pronto para improvisar. O que achamos que os alunos vão querer e o que eles vão querer de fato, são coisas que raramente coincidem.
-Atenção na linguagem e as metáforas para a realidade dos alunos. Se for falar de um mundo de fantasia, cite "Hobbit" ou "Harry Potter", por exemplo. Ou o que quer que seus alunos assistam, ouçam ou joguem.
-NUNCA marque uma mesa fora da instituição, exceto se com pleno conhecimento e consentimento dos pais. E mesmo nesses casos, em um lugar publico, como uma lanchonete ou livraria (e somente em casos de necessidade).
-Anote o que for sendo jogado. É um bom hábito (que não tenho) e ajuda muito a saber o que j´pa foi feito e ainda pode ser realizado.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Porra, Associação Brasileira de Jogos!
Alguns meses atrás tivemos um panfleto que, extremamente pouco reflexivo, relacionava a Associação a uma imagem religiosa "satânica".
Defendi a Associação e critiquei publicamente o ocorrido. Esse tipo de coisa não trazia benefício algum ao RPG.
Agora é hora de fazer o inverso, sobre outra imagem que, igualmente, não contribui para nada.
Antes de tudo, uma rápida explicação:
Apesar de meu lado cretino e RPGista, trabalho com sexualidade humana. Sou psicólogo, já ajudei a desenvolver materiais didáticos e terapêuticos dentro da área, e se estou batendo nessa tecla, de novo, sobre como a comunidade RPGística precisa rever conceitos é porque conheço um pouco o outro lado, o de profissional de saúde mental que tem de dar suporte a vitimas de preconceito.
Tem havido alguns comentários dentro da comunidade de jogadores, tanto contra a DEVIR (no que eu concordo), como a favor. As alegações a favor são de que é "exagero" e que as moças estão trabalhando. NADA contra as modelos. O problema é o comentário, que transforma, primeiro, as mulheres em objeto, e em segundo, que ao invés de falar do que a Devir faz (ou deveria fazer) fica soltando frases imbecis em um meio onde as mulheres já sofrem preconceito e descriminação o suficiente.
Quando me posiciono contra postagens homofóbicas, como abaixo, não é, portanto, somente "exagero".
é, isto sim, um apelo aos gamers em geral para que coloquem a mão na consciência e pensem um pouco antes de falar ou compartilhar determinadas coisas.
Sobretudo quando em nome de uma associação que, de um modo ou de outro, representa RPGistas de qualquer gênero.
Vamos crescer um pouco, moçada. Tá na hora.
Segue:
É o Lobo, é o Lobo!
Por uma bizarra coincidência, se a postagem "demonizadora" citada no começo do texto usava a imagem de um lobo em pele de cordeiro, a de baixo fala sobre o Lobo, da DC, personagem que, como tantos outros, está sendo remodelado.
Se no caso anteriormente criticado, um dos problemas mais sérios era reforço de uma imagem errônea que religiosos tem do RPG, neste a coisa anda de forma muito similar, só que mais direta e explícita.
Uma associação que é criticada e toma porrada de tudo quanto é lado no meio RPGístico sabe o que é ser "avacalhada" sem direito a uma reflexão justa de seus pares deveria ser mais consciente e sensível ao tipo de coisa que escreve e posta.
Compartilhar uma postagem homofóbica é um tremendo retrocesso, em vários sentidos, portanto.
Uma coisa é não gostar do visual do Lobo e criticar. Isso faz parte de qualquer mudança em personagens, e pode ocorrer pelos mais diversos motivos. (Por mim, Hulk seria ainda cinza, por exemplo).
Outra é cair no erro de, ao tentar fazer rir, reproduzir um tipo de mentalidade tacanha e ofensiva a grupos que, sinceramente, não tem nada a ver com isso.
![]() |
| Imagem do Autor Marcelo Cassaro que criou certo borburinho, meses atrás. |
"Purpurina" e "Viado do Caralho" são o tipo de expressões preconceituosas que se espera de uma moçada menos esclarecida.
Aliás, como contraponto: assim como "Nerd Virgem", "Coisa de Punheteiro" e "RPG é coisa do demônio" quando falam de RPGistas. O tipo de coisa, aliás, que tampouco se pede para "compartilhar". Se não gostamos quando terceiros falam isso de nós, isso deveria nos dar um pouco de clareza sobre o que a nós não é muito bacana de dizer.
Quando você compartilha uma imagem preconceituosa qualquer em sua página pessoal, você faz isso na sua págna pessoal, é problema sexual seu. Mas se faz em nome de um grupo e associa o RPG a este tipo de pasmaceira, na boa, aí a coisa muda de figura.
Veja, você não PRECISA gostar dos gays. Não é, nem de longe, isso que eles pedem. Mas há uma diferença entre não gostar dos mesmos e o como e onde defende sua opinião. O ódio a quem tem esta ou aquela sexualidade, quando envolve pessoas maduras e de comum acordo, já muda de figura. Não é da nossa conta se fulano dorme com Beltrano ou Siclana, quantas vezes faz isso e que posição prefere. Do mesmo modo, se um personagem é bacana, ele é por uma série de copisas e ser ou não homossexual, na boa (e é incrivel termos de falar isso em 2014, ainda) é um detalhe.
Acho interessante ver um monte de jogadores dizerem "Porra, o Tyrion eh foda, e esse personagem nos ajuda a diminuir preconceito" w o cara ter xilique porque Wolverine beijou sei lá quem ou o Lobo mudou o visual. Menos, né?
Enfim: Não tenho nada contra o Claudino ou a Associação. Já me ajudaram de diferentes formas em projetos, e fazem divulgação de outros eventos e materiais, de autores diversos, o que é sempre positivo.
Porém queremos um hobby sadio e bacana, passou um bocado da hora de começarmos a prestarmos atenção neste tipo de coisa. É muito mais complicado pedir para o resto da sociedade um pouco de respeito quando reproduzimos "piadas" assim.
A imagem da postagem abaixo reproduzida em imagem, até onde sei, foi deletada, depois de criticada. Ok, que bom.
O problema é ela TER é ter sido publicada, de saída. Basta ver o tipo de comentário tacanho que ela gerou.
Se queremos ser tratados como adultos, é passada a hora de nos comportamos assim. Comentários toscos, como o machismo expresso pela Devir, dias atrás, e esse, do começo do mês, indicam que o meio ainda precisa amadurecer um bocado e ser mais responsável, sobretudo em um meio em que vários jogadores, mestres e mesmo autores SÃO homossexuais e trazem inúmeras boas contribuições ao RPG e Boardgame.
Sou heterossexual, pai de dois filhos, faço oficina de RPG e jogos com crianças e adolescentes e digo, sem o menor medo de errar, que se tem uma coisa que os jogos são capazes de fazer é ensinar tolerância.
Se RPG é uma ferramenta pedagógica poderosa, essa é uma faca de dois gumes, pois não? Então, de novo, vamos ser um pouco mais responsáveis com aquilo que postamos em nome de outros RPGistas.
Ps: Se você acha que o ódio não é problema seu, reveja seus conceitos.
Por exemplo:
Brega
domingo, 9 de março de 2014
Sobre a Venda de Livros
Antes de entrar no assunto, uma explicação:
Eu tenho uma comunidade de "Leilão" de RPG no Facebook, a qual estou ajudando um amigo a vender os livros dele. Não irei receber um tostão pelas vendas (minha condição para ajudar) e só estou fazendo isso porque sei que o vendedor está parando de jogar.
Só para não ser chamado de hipócrita depois.
Seguindo:
Tenho uma politica pessoal: Eu NÃO vendo meus livros de RPG. Simples assim.
Já doei no RPG no Bobs, anos atrás, na época que frequentava, um "Livro do Mestre" e um "Livro do Jogador" (3,5) ambos em excelentes condições, mesmo sabendo que venderia bem, se eu quisesse.
Na mesma época doei uns 10 ou 15 livros de FC de autores como Isaac Azimov, Poul Anderson e outros, simplesmente porque não leria mais.
Algumas semanas atrás doei o meu Old Dragon a um amigo, simplesmente porque eu não usava e o mesmo fará um uso melhor do RPG.
Explico essas coisas para que fique claro que não falo isso "da boca pra fora", mas simplesmente para ilustrar um ponto:
Eu tenho a certeza de que os livros doados serão lidos e bem-utilizados, se possível até jogados, por quem os recebeu. E é ESSA a função de um livro. Ser lido.
O valor de uma obra está no que vem escrito e não em como ele aparece na estante. Livro não é fetiche, livro não é (ou pelo menos não deveria ser) algo para exibir aos amigos. É uma fonte de informações, sejam regras, histórias ou, nem que seja, para serem lidos e se dizer depois "Cara, isso era realmente ruim".
Livros comprados como objetos de valor "inestimável" não prestam para nada além de juntar poeira. E acreditem, tenho uma biblioteca apinhada de pilhas deles que estou, aos poucos, me livrando.
Agora, o que tem ocorrido no mercado nacional de um tempo para cá é justamente o contrário: Livros estão virando objeto de desejo, mas poucos, realmente, na minha opinião, estão sendo usados. O que é uma pena.
E como sei disso? Pelo preço que tem sido pedido nos mesmos e, sobretudo PAGO pelos mesmos.
Quando vejo gente dar 300, 400 pilas em alguns deles, essa impressão só fica mais forte.
Hoje em dia, sem precisar recorrer à pirataria, a maioria dos livros pode ser comprado e, se for o caso, impresso, por preços extremamente menores.
Se os valores pagos fossem por causa da utilidade da informação dentro do livro, muita gente, mas muita gente mesmo, não desembolsaria o que desembolsa. Sobretudo quando critérios como "excelente estado" por exemplo, chuta o valor de um RPG para uns 50 a 100% a mais. Não estando pessímo o estado, a ponto de desmanchar em uma lida, um livro não precisaria ter esse aumento.
Ok, todo mundo quer um livro bonitinho. Eu também, mas, sinceramente, se você encontra o mesmo livro, menos conservado, mas inteiro e sem se desmanchar, e seu objetivo principal é ler o treco, para que pagar tanto a mais?
Existem exceções, claro. Tem livros que são especialmente raros, que por nenhuma via se consegue aquela edição senão comprando um usado mesmo, etc. Ou livros novos que vem com "mimos" bacanas, que encarecem o produto, mas o cara quer aqueles brindes em especial.
Ok, nesses casos entendo, mesmo sabendo que o importante é o livro, e fazendo a conta do livro separado do que vem junto, se o resto não for um absurdo, ok, mas sabendo o quanto estou pagando pelos "brindes". Mas tem de ser uma compra consciente, e não por impulso como vejo muita gente fazendo.
Há RPGs às quais somos especialmente apegados, e esses nos dispomos a pagar certo preço. Mas, vamos ser sinceros, quantos sistemas e livros são lançados anualmente e que você, eu ou qualquer um, realmente, REALMENTE pretendemos narrar ou, ao menos, ler?
Talvez não tantos, pois não?
E isso falando de livros novos, para quem gosta de acompanhar novidades.
Aí entra uma outra questão: E os livros antigos? Alguns nem como antigos podem ser classificados, são simplesmente velhos. Sistemas ruins, suplementos desinteressantes, que cairam em desuso, ou que outras coisas melhores os substituiram.
Outros são bons, mas existem bons PDFs deles, acessíveis e, de novo, sem precisar recorrer à pirataria.
Raros são os excelentes e realmente inacessíveis, até porque, nestes casos, é muito dificil um sistema realmente bom não ser encontrado por vias eletrônicas, hoje em dia.
Não condeno (nem posso) quem vende os livros por esses preços. O pessoal paga, o cara quer ganahr um troco, é direito dele. Ninguém, sejamos sinceros, vai ficar rico vendendo livros, quanto mais de RPG.
Nem quem compra, no sentido de que cada um sabe o que pode ou quer gastar.
Mas escrevo isso porque acho que, pelo menos nos casos de quem compra, tem sobrado animação e faltado um pouco de reflexão.
1) Vou comprar algo, mesmo que supérfulo, em geral tenho um sistema que recomendo aqui: Eu não olho o preço de cara. Primeiro eu pergunto: "Quanto eu acho que isso vale?".
Se estiver próximo do preço imaginado, ok, posso prosseguir com outras perguntas até decidir se compro ou não. Mas se estiver muito acima, de cara já descarto. Afinal se eu acho que tal coisa vale "X", vou pagar 2X, 3X, para quê?
É um método que uso há anos e raramente deu errado. Já deixei de comprar coisas que realmente queria, e já comprei algumas porcarias por preço muito acima do que valiam,. mas de modo geral, funciona bem, então recomendo.
2) "Realmente preciso desse livro?" Ok, RPG é um hobby, então com excessão dos que realmente trabalham com RPG, "precisar" é sempre não. Mas fora isso, podemos precisar simplesmente porque queremos muito, então vamos reformular para "REALMENTE DESEJO esse livro?". Pense se realmente vai ler, se já não tem sistemas similares, se não pode comprar o PDF antes para uma boa análise, etc. Muitos RPGs são simplesmente desnecessários ou não s~çao de nosso gosto. Então tenha em mente isso antes de gastar os tubos.
3) "Eu TENHO esse dinheiro?" . Esse papo de "me paga em 20 vezes" ou "Ah, vende teu rim para comprar" não são um sinal de que possa arcar com isso sem fazer falta. Ou, em paralelo, pense "O que mais eu podia fazer com essa grana?". Muits vezes o valor pago significa saidas a menos com uma namorada, alguns filmes a menos a serem assistidos e mesmo um ou mais livros de RPG que poderiam te interessar que serão deixados de ser comprados. Vale o custo? Pode pagar? Bom, isso é você que tem de saber, mas pelo menos PENSE e SAIBA antes de desembolsar.
4) Não tem item Quatro. Pelo menos que eu saiba.
Se você acha que o livro está a um preço justo, que terá utilidade para ele (se possivel para algo além de exibir na estante - (porque, francamente, se preocupar em impressionar amigos nerds é deprimente), e pode gastar, bom, aí é com você, mas pelo menos ´pensou a respeito.
Se alguém fizer direito e, quem sabe, deixar de comprar algo que não valia a pena, ou comprar algo sem se arrepender depis, por mim, já está de bom tamanho.
Mas lembre-se de uma coisa: Um livro é realmente valioso pelo que tem dentro dele, e se aquilo faz acender em você aquele calor bacana quando lê (ou relê). Se for um encalhe do Twerps de 10 reais, mas aquilo te divertir mais do que um encardenado de 20 anos daquele outro, que custa 1000 reais, dane-se. É para você e não para os outros que deveria comprar algo.
Por fim, um pedido: Quem puder (nem todo mundo pode, eu sei, por isso estou pedindo, somente), pensem em doar mais livros do que somente vender. Tem coisas que a gente não vai usar mais, mas que tem um amigo que pode gostar para cacilda. Ou que uma escola pode fazer bom uso (e não falo somente de RPG aqui).
Pode parecer bobagem. mas talvez para aquela pessoa ou instituição em especial isso faça uma tremenda diferença. Se fizer isso, saiba escolher para quem fará a doação, mas quem sabe por causa do mateiral que doou um novo grupo pode se formar, um novo autor cria algo bacana, ou, simplesmente, garantiu umas horas prazeirosas para outra pessoa que, por qualquer razão, jamais teria acesso àquilo se não fosse você.
Algumas vezes isso pode fazer bem pacas, mas é com cada um de vocês decidir. Mas se ajuda, acho que a maioria de vocês é capaz de ser mais legal que o sujeitinho da foto aí em cima. :O)
Abraços
Brega Presley
PS: Um adendo - O Davi Campino me passou uma comunidade de uma moçada que faz um belíssimo trabalho com livros. É o Sebo Solidário CELPI, que repasso aqui o link para quem se interessar.
Quem tiver mais alguma sugestão, por favor, deixa nas mensagens, assim a gente democratiza a informação.
Abraços (e valeu Davi).
Eu tenho uma comunidade de "Leilão" de RPG no Facebook, a qual estou ajudando um amigo a vender os livros dele. Não irei receber um tostão pelas vendas (minha condição para ajudar) e só estou fazendo isso porque sei que o vendedor está parando de jogar.
Só para não ser chamado de hipócrita depois.
Seguindo:
Tenho uma politica pessoal: Eu NÃO vendo meus livros de RPG. Simples assim.
Já doei no RPG no Bobs, anos atrás, na época que frequentava, um "Livro do Mestre" e um "Livro do Jogador" (3,5) ambos em excelentes condições, mesmo sabendo que venderia bem, se eu quisesse.
Na mesma época doei uns 10 ou 15 livros de FC de autores como Isaac Azimov, Poul Anderson e outros, simplesmente porque não leria mais.
Algumas semanas atrás doei o meu Old Dragon a um amigo, simplesmente porque eu não usava e o mesmo fará um uso melhor do RPG.
Explico essas coisas para que fique claro que não falo isso "da boca pra fora", mas simplesmente para ilustrar um ponto:
Eu tenho a certeza de que os livros doados serão lidos e bem-utilizados, se possível até jogados, por quem os recebeu. E é ESSA a função de um livro. Ser lido.
O valor de uma obra está no que vem escrito e não em como ele aparece na estante. Livro não é fetiche, livro não é (ou pelo menos não deveria ser) algo para exibir aos amigos. É uma fonte de informações, sejam regras, histórias ou, nem que seja, para serem lidos e se dizer depois "Cara, isso era realmente ruim".
Livros comprados como objetos de valor "inestimável" não prestam para nada além de juntar poeira. E acreditem, tenho uma biblioteca apinhada de pilhas deles que estou, aos poucos, me livrando.
Agora, o que tem ocorrido no mercado nacional de um tempo para cá é justamente o contrário: Livros estão virando objeto de desejo, mas poucos, realmente, na minha opinião, estão sendo usados. O que é uma pena.
E como sei disso? Pelo preço que tem sido pedido nos mesmos e, sobretudo PAGO pelos mesmos.
Quando vejo gente dar 300, 400 pilas em alguns deles, essa impressão só fica mais forte.
Hoje em dia, sem precisar recorrer à pirataria, a maioria dos livros pode ser comprado e, se for o caso, impresso, por preços extremamente menores.
Se os valores pagos fossem por causa da utilidade da informação dentro do livro, muita gente, mas muita gente mesmo, não desembolsaria o que desembolsa. Sobretudo quando critérios como "excelente estado" por exemplo, chuta o valor de um RPG para uns 50 a 100% a mais. Não estando pessímo o estado, a ponto de desmanchar em uma lida, um livro não precisaria ter esse aumento.
Ok, todo mundo quer um livro bonitinho. Eu também, mas, sinceramente, se você encontra o mesmo livro, menos conservado, mas inteiro e sem se desmanchar, e seu objetivo principal é ler o treco, para que pagar tanto a mais?
Existem exceções, claro. Tem livros que são especialmente raros, que por nenhuma via se consegue aquela edição senão comprando um usado mesmo, etc. Ou livros novos que vem com "mimos" bacanas, que encarecem o produto, mas o cara quer aqueles brindes em especial.
Ok, nesses casos entendo, mesmo sabendo que o importante é o livro, e fazendo a conta do livro separado do que vem junto, se o resto não for um absurdo, ok, mas sabendo o quanto estou pagando pelos "brindes". Mas tem de ser uma compra consciente, e não por impulso como vejo muita gente fazendo.
Há RPGs às quais somos especialmente apegados, e esses nos dispomos a pagar certo preço. Mas, vamos ser sinceros, quantos sistemas e livros são lançados anualmente e que você, eu ou qualquer um, realmente, REALMENTE pretendemos narrar ou, ao menos, ler?
Talvez não tantos, pois não?
E isso falando de livros novos, para quem gosta de acompanhar novidades.
Aí entra uma outra questão: E os livros antigos? Alguns nem como antigos podem ser classificados, são simplesmente velhos. Sistemas ruins, suplementos desinteressantes, que cairam em desuso, ou que outras coisas melhores os substituiram.
Outros são bons, mas existem bons PDFs deles, acessíveis e, de novo, sem precisar recorrer à pirataria.
Raros são os excelentes e realmente inacessíveis, até porque, nestes casos, é muito dificil um sistema realmente bom não ser encontrado por vias eletrônicas, hoje em dia.
Não condeno (nem posso) quem vende os livros por esses preços. O pessoal paga, o cara quer ganahr um troco, é direito dele. Ninguém, sejamos sinceros, vai ficar rico vendendo livros, quanto mais de RPG.
Nem quem compra, no sentido de que cada um sabe o que pode ou quer gastar.
Mas escrevo isso porque acho que, pelo menos nos casos de quem compra, tem sobrado animação e faltado um pouco de reflexão.
Se vale de algo, algumas dicas:
1) Vou comprar algo, mesmo que supérfulo, em geral tenho um sistema que recomendo aqui: Eu não olho o preço de cara. Primeiro eu pergunto: "Quanto eu acho que isso vale?".
Se estiver próximo do preço imaginado, ok, posso prosseguir com outras perguntas até decidir se compro ou não. Mas se estiver muito acima, de cara já descarto. Afinal se eu acho que tal coisa vale "X", vou pagar 2X, 3X, para quê?
É um método que uso há anos e raramente deu errado. Já deixei de comprar coisas que realmente queria, e já comprei algumas porcarias por preço muito acima do que valiam,. mas de modo geral, funciona bem, então recomendo.
2) "Realmente preciso desse livro?" Ok, RPG é um hobby, então com excessão dos que realmente trabalham com RPG, "precisar" é sempre não. Mas fora isso, podemos precisar simplesmente porque queremos muito, então vamos reformular para "REALMENTE DESEJO esse livro?". Pense se realmente vai ler, se já não tem sistemas similares, se não pode comprar o PDF antes para uma boa análise, etc. Muitos RPGs são simplesmente desnecessários ou não s~çao de nosso gosto. Então tenha em mente isso antes de gastar os tubos.
3) "Eu TENHO esse dinheiro?" . Esse papo de "me paga em 20 vezes" ou "Ah, vende teu rim para comprar" não são um sinal de que possa arcar com isso sem fazer falta. Ou, em paralelo, pense "O que mais eu podia fazer com essa grana?". Muits vezes o valor pago significa saidas a menos com uma namorada, alguns filmes a menos a serem assistidos e mesmo um ou mais livros de RPG que poderiam te interessar que serão deixados de ser comprados. Vale o custo? Pode pagar? Bom, isso é você que tem de saber, mas pelo menos PENSE e SAIBA antes de desembolsar.
4) Não tem item Quatro. Pelo menos que eu saiba.
Se você acha que o livro está a um preço justo, que terá utilidade para ele (se possivel para algo além de exibir na estante - (porque, francamente, se preocupar em impressionar amigos nerds é deprimente), e pode gastar, bom, aí é com você, mas pelo menos ´pensou a respeito.
Se alguém fizer direito e, quem sabe, deixar de comprar algo que não valia a pena, ou comprar algo sem se arrepender depis, por mim, já está de bom tamanho.
Mas lembre-se de uma coisa: Um livro é realmente valioso pelo que tem dentro dele, e se aquilo faz acender em você aquele calor bacana quando lê (ou relê). Se for um encalhe do Twerps de 10 reais, mas aquilo te divertir mais do que um encardenado de 20 anos daquele outro, que custa 1000 reais, dane-se. É para você e não para os outros que deveria comprar algo.
Por fim, um pedido: Quem puder (nem todo mundo pode, eu sei, por isso estou pedindo, somente), pensem em doar mais livros do que somente vender. Tem coisas que a gente não vai usar mais, mas que tem um amigo que pode gostar para cacilda. Ou que uma escola pode fazer bom uso (e não falo somente de RPG aqui).
Pode parecer bobagem. mas talvez para aquela pessoa ou instituição em especial isso faça uma tremenda diferença. Se fizer isso, saiba escolher para quem fará a doação, mas quem sabe por causa do mateiral que doou um novo grupo pode se formar, um novo autor cria algo bacana, ou, simplesmente, garantiu umas horas prazeirosas para outra pessoa que, por qualquer razão, jamais teria acesso àquilo se não fosse você.
![]() |
| Agregue valor de verdade ao camarote: Doe um Livro! |
Abraços
Brega Presley
PS: Um adendo - O Davi Campino me passou uma comunidade de uma moçada que faz um belíssimo trabalho com livros. É o Sebo Solidário CELPI, que repasso aqui o link para quem se interessar.
Quem tiver mais alguma sugestão, por favor, deixa nas mensagens, assim a gente democratiza a informação.
Abraços (e valeu Davi).
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Jornal "A Tribuna" de Vitória: Exemplo de Reportagem Mal Feita
Depois de ter chegado às minhas mãos a reportagem com o título "Rituais Macabros em Algumas Seitas", no dia de hoje, pelo que me informaram a primeira sensação é de incredulidade.
É dificil acreditar que um veículo de informação (pago, diga-se de passagem)consiga reproduzir idéias no mínimo 30 anos atrasadas em relação a um hobby como é o caso do RPG, ou "Jogo de Interpretação".
Quando se falam de quadrinhos como a particularmente ruim, paranóica e mal escrita "Dark Dungeons", ou de filmes feitos para a televisão, como "Monstros e Masmorras", não há um RPGista sério que não esboce um sorriso irônico. Afinal, estes são tão ruins e fora da realidade como o livro "A Sedução dos Inocentes" foi para os quadrinhos.
Ninguém joga RPG e perde o contato com a realidade. Na verdade, é justamente o contrário: RPG é antes de tudo um "jogo", e a primeira premissa de um jogo é que ele é considerado uma "simulação" por todos.
Pessoas que confundem realidade com ficção não boas para jogar não apenas RPG, mas não são pessoas que devam assistir filmes sem acompanhamento, peças ou determinados jornais com pouca preocupação com a realidade dos fatos.
Sim, houveram crimes relacionados erroneamente ao RPG. Mas bastava uma olhada em
"As Potencialidades do RPG (Role Playing Game) na Educação Escolar" de Rafael Carneiro Vasques (2008), para se compreender como a desinformação sobre algo produz preconceitos. As mesmas, alias, que a reportagem de hoje, reproduzem em sua edição.
Minha segunda sensação é a de que alguém não cumpriu seu trabalho como jornalista. Afinal, uma profissão que tem um código de ética e uma preocupação em informar pessoas sobre fatos, não deveria escrever sobre o que não entende. Seja RPG ou seja sobre religiões como a Wicca. Mesmo eu, não sendo desta religião, entendo que o texto foi infeliz ao tratar pessoas jovens desta crença como passíveis de "perigos". É um tipo de texto não apenas ruim como tendendo, perigosamente, ao preconceito.
É de se admirar que não apenas o jornalista tenha cometido tamanho deslize, como de que o editor não estivesse atento a tamanha sucessão de erros e informações colhidas sem qualquer qualidade ou veracidade.
Além disso, classificar RPG como "Seita" é de um absurdo sem tamanho. RPG é um jogo. E não transforma ninguém em mago, do mesmo modo que Banco Imobiliário não transforma ninguém em milionário. Alguém no Jornal "A Tribuna" não andou fazendo lição de casa, não é? Ou, pior, estava com tanta falta de assunto (como se no mundo já não ocorressem coisas a serem reportadas), que precisou inventar algo para escrever.
Certamente o jornal dispõe de profissioanis com maior criatividade que este, pois não? Pense em utilizá-los na próxima.
Não sei quais empresas porventura anunciam em um jornal como "A Tribuna" de Vitória - ES, mas não aconselho a empresas que façam seus anuncios por lá deixarem de checar se realmente um jornal que deixa passar este tipo de reportagem é um veículo merecedor de seus anuncios.
Eu, pessoalmente, não desejo comprar qualquer produto que veja em um veículo de comunicação com esta pouca visão sobre juventude, educação e respeito a crenças alheias.
Fica aqui meu repúdio e minha consternação a tal reportagem, e minha esperança de que o jornal seja mais atencioso na escolha de profissionais que porventura escrevam neste veículo.
A comunidade de jogadores de RPG no Brasil certamente ficará contente quando, eventualmente, o jornal puder se manifestar a respeito e desfazer o equívoco entre os leitores.
Se faltar assunto, fica a dica: Há inumeros RPGistas, como o pessoal do Dungeons Carioca, aqui no Rio, que promovem ações sociais em seus encontros, ou outros tantos que se reunem em bibliotecas, escolas e livrarias, justamente por compreender o bom potencial cultural dos RPGs. Se é para noticiar algo, porque não fazer como a Editora ABRIL, que em Março, na revista "NOVA ESCOLA" trouxe o texto "Jogos: Quando, Como e Porque " como matéria anunciada já em sua capa?
Aguardemos com interesse.
Atualizando (2/5/2013)
Saiu hoje uma quase-retratação, com depoimentos de pessoas afirmando que RPG não é seita ou satanismo.
É dificil acreditar que um veículo de informação (pago, diga-se de passagem)consiga reproduzir idéias no mínimo 30 anos atrasadas em relação a um hobby como é o caso do RPG, ou "Jogo de Interpretação".
Quando se falam de quadrinhos como a particularmente ruim, paranóica e mal escrita "Dark Dungeons", ou de filmes feitos para a televisão, como "Monstros e Masmorras", não há um RPGista sério que não esboce um sorriso irônico. Afinal, estes são tão ruins e fora da realidade como o livro "A Sedução dos Inocentes" foi para os quadrinhos.
Ninguém joga RPG e perde o contato com a realidade. Na verdade, é justamente o contrário: RPG é antes de tudo um "jogo", e a primeira premissa de um jogo é que ele é considerado uma "simulação" por todos.
Pessoas que confundem realidade com ficção não boas para jogar não apenas RPG, mas não são pessoas que devam assistir filmes sem acompanhamento, peças ou determinados jornais com pouca preocupação com a realidade dos fatos.
Sim, houveram crimes relacionados erroneamente ao RPG. Mas bastava uma olhada em
"As Potencialidades do RPG (Role Playing Game) na Educação Escolar" de Rafael Carneiro Vasques (2008), para se compreender como a desinformação sobre algo produz preconceitos. As mesmas, alias, que a reportagem de hoje, reproduzem em sua edição.
Minha segunda sensação é a de que alguém não cumpriu seu trabalho como jornalista. Afinal, uma profissão que tem um código de ética e uma preocupação em informar pessoas sobre fatos, não deveria escrever sobre o que não entende. Seja RPG ou seja sobre religiões como a Wicca. Mesmo eu, não sendo desta religião, entendo que o texto foi infeliz ao tratar pessoas jovens desta crença como passíveis de "perigos". É um tipo de texto não apenas ruim como tendendo, perigosamente, ao preconceito.
É de se admirar que não apenas o jornalista tenha cometido tamanho deslize, como de que o editor não estivesse atento a tamanha sucessão de erros e informações colhidas sem qualquer qualidade ou veracidade.
Além disso, classificar RPG como "Seita" é de um absurdo sem tamanho. RPG é um jogo. E não transforma ninguém em mago, do mesmo modo que Banco Imobiliário não transforma ninguém em milionário. Alguém no Jornal "A Tribuna" não andou fazendo lição de casa, não é? Ou, pior, estava com tanta falta de assunto (como se no mundo já não ocorressem coisas a serem reportadas), que precisou inventar algo para escrever.
Certamente o jornal dispõe de profissioanis com maior criatividade que este, pois não? Pense em utilizá-los na próxima.
Não sei quais empresas porventura anunciam em um jornal como "A Tribuna" de Vitória - ES, mas não aconselho a empresas que façam seus anuncios por lá deixarem de checar se realmente um jornal que deixa passar este tipo de reportagem é um veículo merecedor de seus anuncios.
Eu, pessoalmente, não desejo comprar qualquer produto que veja em um veículo de comunicação com esta pouca visão sobre juventude, educação e respeito a crenças alheias.
Fica aqui meu repúdio e minha consternação a tal reportagem, e minha esperança de que o jornal seja mais atencioso na escolha de profissionais que porventura escrevam neste veículo.
A comunidade de jogadores de RPG no Brasil certamente ficará contente quando, eventualmente, o jornal puder se manifestar a respeito e desfazer o equívoco entre os leitores.
Se faltar assunto, fica a dica: Há inumeros RPGistas, como o pessoal do Dungeons Carioca, aqui no Rio, que promovem ações sociais em seus encontros, ou outros tantos que se reunem em bibliotecas, escolas e livrarias, justamente por compreender o bom potencial cultural dos RPGs. Se é para noticiar algo, porque não fazer como a Editora ABRIL, que em Março, na revista "NOVA ESCOLA" trouxe o texto "Jogos: Quando, Como e Porque " como matéria anunciada já em sua capa?
Aguardemos com interesse.
Atualizando (2/5/2013)
Saiu hoje uma quase-retratação, com depoimentos de pessoas afirmando que RPG não é seita ou satanismo.
O texto não é uma retratação, de fato, que fique claro, e o erro não foi oficialmente reconhecido (ainda), mas já é um adianto sobre o tema. Ainda se faz necessária uma retratação não por nós RPGistas, em si, mas para leitores que não saibam o que é RPG e tenham tido, uma vez mais, informações erradas sobre o jogo.
Aguardemos, mas pelo menos o jornal deu um bom passo.
sábado, 7 de abril de 2012
Convide um Vereador a Jogar
Amadurecendo uma idéia:
Fica a proposta de chamarem educadores, pais, jornalistas, políticos e mesmo líderes religiosos a,conhecerem o RPG.
Há eventos abertos em todo o país, muitos feitos em livrarias e centros culturais, e acho que não apenas podemos mostrar que
Como em filmes, há sessões de terror, sessões de aventura medieval, fantasia ou policiais. Há RPGs que os personagens são felinos, em que os personagens se ambientam no velho testamento, em um futuro distante ou em uma realidade alternativa.
RPG é um jogo, um pouco mais complexo de um jogo de tabuleiro. No RPG, assim como em War, há ataques, contra-ataques, alianças e rolagens de dados.
E assim como em War, o jogo demora algumas horas, mas é realizado em torno de uma mesa, e ninguém faz nenhuma ação no jogo fora da mesa. É um jogo de imaginação e descriçãoi, onde uma estória é criada por algumas horas, mas que apresenta limites claros entre realidade e fantasia.
Ninguém joga War e sai pensando em mandar um exército invadir Vladvostok. Assim como ningúém joga RPG e sai pensando em fazer implantes cibernéticos, caçar Orcs, deixar de sair em um dia de Sol. RPGs não estimulam atitudes anti-sociais, não pregam isolamento, não fazem nada além de sentar meia duzia de pessoas para criar uma brincadeira, brincarem de serem outras coisas (como em polícia e ladrão) e voltarem a fazer coisas sérias, como trabalhar ou estudar, como qualquer pessoa normal.
Como fãs de Guerra nas estrelas, há os fazem "cosplay" e se vestem como determinados personagens. Como alías, se faz no Carnaval. Ninguém se veste como o Yoda e passa a achar quer pode levantar naves espaciais. Ninguem se veste de vampiro e acha que é um.
Se você é um jornalista, Vereador, Deputado, lider Religioso, professor ou mesmo pai, ao invez de se informar por um programa de TV, sobretudo se for ruim, vá a um encontro de RPG e veja o que é. Não precisa jogar. Ninguém precisa.
Converse com organizadores, participantes, descubra o que é um "mestre" (algo como um juiz, não como um lider de uma seita, diga-se), e veja, com seus próprios olhos, forme sua própria opinião.
Os eventos de RPG são tranquilos, muitas vezes familiares (eu, por exemplo, levo meu filho de vez em quando), pacíficos, politizados em não poucas ocasiões (e por politizados, entenda-se que os frequentadores divergem de suas opiniões, mas sentam e dialogam), e apenas e nada mais que um evento social, como jogar futebol com amigos, frescobol ou xadrez.
Conheça, ao vivo e a cores, é só o que se pede, antes de formar uma opinião baseada na visão de terceiros.
Fica a proposta de chamarem educadores, pais, jornalistas, políticos e mesmo líderes religiosos a,conhecerem o RPG.
Há eventos abertos em todo o país, muitos feitos em livrarias e centros culturais, e acho que não apenas podemos mostrar que
Como em filmes, há sessões de terror, sessões de aventura medieval, fantasia ou policiais. Há RPGs que os personagens são felinos, em que os personagens se ambientam no velho testamento, em um futuro distante ou em uma realidade alternativa.
RPG é um jogo, um pouco mais complexo de um jogo de tabuleiro. No RPG, assim como em War, há ataques, contra-ataques, alianças e rolagens de dados.
E assim como em War, o jogo demora algumas horas, mas é realizado em torno de uma mesa, e ninguém faz nenhuma ação no jogo fora da mesa. É um jogo de imaginação e descriçãoi, onde uma estória é criada por algumas horas, mas que apresenta limites claros entre realidade e fantasia.
Ninguém joga War e sai pensando em mandar um exército invadir Vladvostok. Assim como ningúém joga RPG e sai pensando em fazer implantes cibernéticos, caçar Orcs, deixar de sair em um dia de Sol. RPGs não estimulam atitudes anti-sociais, não pregam isolamento, não fazem nada além de sentar meia duzia de pessoas para criar uma brincadeira, brincarem de serem outras coisas (como em polícia e ladrão) e voltarem a fazer coisas sérias, como trabalhar ou estudar, como qualquer pessoa normal.
Como fãs de Guerra nas estrelas, há os fazem "cosplay" e se vestem como determinados personagens. Como alías, se faz no Carnaval. Ninguém se veste como o Yoda e passa a achar quer pode levantar naves espaciais. Ninguem se veste de vampiro e acha que é um.
Se você é um jornalista, Vereador, Deputado, lider Religioso, professor ou mesmo pai, ao invez de se informar por um programa de TV, sobretudo se for ruim, vá a um encontro de RPG e veja o que é. Não precisa jogar. Ninguém precisa.
Converse com organizadores, participantes, descubra o que é um "mestre" (algo como um juiz, não como um lider de uma seita, diga-se), e veja, com seus próprios olhos, forme sua própria opinião.
Os eventos de RPG são tranquilos, muitas vezes familiares (eu, por exemplo, levo meu filho de vez em quando), pacíficos, politizados em não poucas ocasiões (e por politizados, entenda-se que os frequentadores divergem de suas opiniões, mas sentam e dialogam), e apenas e nada mais que um evento social, como jogar futebol com amigos, frescobol ou xadrez.
Conheça, ao vivo e a cores, é só o que se pede, antes de formar uma opinião baseada na visão de terceiros.
Bullyng Relacionado a novela relatado:
http://malkavianosrpg.blogspot.com.br/2012/04/novela-rebelde-rpg-caso-de-bullyng-e.html?spref=fb
Aconteceu em Recife.
Gente, se insisto nesse tema não é a toa.
Felizmente tive pais tranquilos, sou maior de idade, casado, com dois filhos e não devo nada a ninguém.
Mas não é, infelizmente, a realidade de muitos jogadores, sobretudo os mais novos.
RARAMENTE quem aposta na capacidade humana de ser ignorante sai perdendo.
Pensem em quantos moleques em escolas, muitos já meio nerds (e nerds não são exatamente o perfil mais bem tratado em escolas, ou são?), que com esta bobagem sendo exibida passam a correrem o risco de serem alvos de babaquices como a relatada pelo blog "Malkavianos" (linkado acima).
Fora isso, a pressão em famílias que tem um perfil a verem o mundo como algo cheio de demonios e possessões, mas sem uma orientação adequada (isto é, familias que não tenham um pastor ou líder religioso que seja concencioso) vão achar que todo este blá bla bla novelístico é verdadeiro.
Notem que não quero generalizar. Há igrejas e igrejas, famílias e famílias, escolas e escolas, e pastores, padres e afins diversos. Como em qualquer área, há bons e maus profissionais.
É inegável que muitos são, sim, infelizmente, mal-orientados quanto ao RPG, alguns por simples desconhecimento, outros infelizmente por má fé.
Cito como exemplo o "Dark Dungeons", HQ americana dos anos 80, absolutamente fantasiosa, mas que reflete um conceito que, se for a unica fonte do leitor, pode levar a enganos e preconceitos diversos.
Vale lembrar que já tivemos pessoas tentando proibir o RPG em Minas. Então não creio que seja adequado ignorar o tema.
Há professores que, em vez de procurarem orientações e trabalhos de pedagogia podem, sim, acreditar em uma novela, há adolescentes e crianças que são, sim, vulneráveis (uso aqui o conceito tecnico de "vulnerabilidade", que [é aplicado a politicas de saude, mas entendo que se encaixe no caso).
Há discursos que não condizem com a realidade, e RPG ainda é um jogo mal-compreendido pela população em geral. Se formos deixar outros explicar por nós, sobretudo quando apresentados critérios bastante duvidosos para expor o tema (o que eles mostram e chamam de RPG não é RPG, afinal de contas) corremos o risco de ouvirmos discursos de quem não compreende, ou pior, não quer compreender a natureza inofensiva do jogo.
Se bato repetidamente no tema (e, infelizmente, devo bater ainda mais sobre ele nos proximos dias) é por entender que este discurso apresentado pela Rede Record, se não contrabalanceado por bom senso e um discurso contrário, dará um "sentido" ao jogo de RPG que trará dificuldades enormes na realização de eventos, encontros e p´ratica de um hobby divertido, com potencial didático, tornando não o mundo da fantasia, mas o real e concreto mais triste.
Se tiverem blogs, sites e afins, vão atrás de notícias, abaixo-assinados, escrevam para jornais protestando, façam valer a sua voz. Convidem, jornalistas, educadores, deputados, vereadores e afins para conhecerem eventos de RPG.
Um país em que um jogo que exercita a imaginação é confundido com "ameaça", é um país que dificilmente pode ser considerado uma democracia.
B.P.
Aconteceu em Recife.
Gente, se insisto nesse tema não é a toa.
Felizmente tive pais tranquilos, sou maior de idade, casado, com dois filhos e não devo nada a ninguém.
Mas não é, infelizmente, a realidade de muitos jogadores, sobretudo os mais novos.
RARAMENTE quem aposta na capacidade humana de ser ignorante sai perdendo.
Pensem em quantos moleques em escolas, muitos já meio nerds (e nerds não são exatamente o perfil mais bem tratado em escolas, ou são?), que com esta bobagem sendo exibida passam a correrem o risco de serem alvos de babaquices como a relatada pelo blog "Malkavianos" (linkado acima).
Fora isso, a pressão em famílias que tem um perfil a verem o mundo como algo cheio de demonios e possessões, mas sem uma orientação adequada (isto é, familias que não tenham um pastor ou líder religioso que seja concencioso) vão achar que todo este blá bla bla novelístico é verdadeiro.
Notem que não quero generalizar. Há igrejas e igrejas, famílias e famílias, escolas e escolas, e pastores, padres e afins diversos. Como em qualquer área, há bons e maus profissionais.
É inegável que muitos são, sim, infelizmente, mal-orientados quanto ao RPG, alguns por simples desconhecimento, outros infelizmente por má fé.
Cito como exemplo o "Dark Dungeons", HQ americana dos anos 80, absolutamente fantasiosa, mas que reflete um conceito que, se for a unica fonte do leitor, pode levar a enganos e preconceitos diversos.
Vale lembrar que já tivemos pessoas tentando proibir o RPG em Minas. Então não creio que seja adequado ignorar o tema.
Há professores que, em vez de procurarem orientações e trabalhos de pedagogia podem, sim, acreditar em uma novela, há adolescentes e crianças que são, sim, vulneráveis (uso aqui o conceito tecnico de "vulnerabilidade", que [é aplicado a politicas de saude, mas entendo que se encaixe no caso).
Há discursos que não condizem com a realidade, e RPG ainda é um jogo mal-compreendido pela população em geral. Se formos deixar outros explicar por nós, sobretudo quando apresentados critérios bastante duvidosos para expor o tema (o que eles mostram e chamam de RPG não é RPG, afinal de contas) corremos o risco de ouvirmos discursos de quem não compreende, ou pior, não quer compreender a natureza inofensiva do jogo.
Se bato repetidamente no tema (e, infelizmente, devo bater ainda mais sobre ele nos proximos dias) é por entender que este discurso apresentado pela Rede Record, se não contrabalanceado por bom senso e um discurso contrário, dará um "sentido" ao jogo de RPG que trará dificuldades enormes na realização de eventos, encontros e p´ratica de um hobby divertido, com potencial didático, tornando não o mundo da fantasia, mas o real e concreto mais triste.
Se tiverem blogs, sites e afins, vão atrás de notícias, abaixo-assinados, escrevam para jornais protestando, façam valer a sua voz. Convidem, jornalistas, educadores, deputados, vereadores e afins para conhecerem eventos de RPG.
Um país em que um jogo que exercita a imaginação é confundido com "ameaça", é um país que dificilmente pode ser considerado uma democracia.
B.P.
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